domingo, 25 de fevereiro de 2007

ANTÓNIO PEREIRA REGO


António Pereira Rego [1629-1692]

Cavaleiro da Ordem de Cristo, natural de Ponte de Lima, filho de Fernando Pereira Rego e Margarida Salgado, "desde a adolescencia se instruyo com aquellas artes dignas do seu nacimento, sendo taõ valerozo na Campanha contra os inimigos da Patria, como destro, e ayrozo no manejo dos Cavallos, agil, e sciente no jogo das Cavalhadas, e naõ menos insigne no exercício da caça assim das aves como das feras naõ havendo alguma, que escapasse à pontaria dos seus tiros, cujas excellentes partes reduzio a hum Romance seu particular amigo Jeronymo da Motta Abbade de Magaens que esta impresso no principio da obra que publicou intitulada ...

Instrucção de Cavallaria de brida com um copioso tractado de Alveitaria, Coimbra, por Joze Ferreira 1679, [1693, Inocêncio F. Silva] & ibi por Joaõ Antunes 1712" [in Barbosa Machado, vol I], depois 1733, 1767 [Inocêncio F. Silva]

Morre no ano de 1692, com 63 anos de idade [Inocêncio F. Silva]

LIBRO DE CETRERÍA - FREDEJAS RUEDA

[Juan de Sahagún, 'Libro de cetrería' (1884), seguido de Glosas / de Beltrán de la Cueva, seguido del discurso del Falcón Esmerejón / del Conde de Puñónrrostro. Vocabulario de palabras cetreras / por Antonio Manzanares Palarea, Caïrel, 1984]

"Muchos de los vocablos que usamos hoy tienen un antiguo origen, coetáneo a la práctica de la cetrería, a la que se aplicaban. Algunas han nacido incluso en relación con esta forma ancestral de cazar. Se incorporaron al primer castellano romance desde el latín, el árabe e incluso el persa o las lenguas indias."
[in, foro de Cetreria]

Local: Historia de la Cetrería (José M. Fradejas Rueda)

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2007

LUIZ AUGUSTO LUDOVICE DA GAMA

"Foi, ao que me lembro, empregado da antiga repartição telegraphica, e depois esteve ao serviço de emprezas particulares. Apaixonado de diversões venatorias, e de tudo o que lhes diz respeito, dedicou se tambem a dar ao prelo escriptos reveladores da sua predilecção. Assim, publicou um Almanach dos caçadores, um Album das damas caçadoras, e uma folha periodica, tambem dedicada á historia dos animaes e das caçadas; porém não posso deixar aqui a descripção exacta e minuciosa, d'esta ultima, por não ter presente nenhum exemplar d'ella, nem me occorre se a sua existencia foi curta ou longa. Da primeira dou a seguinte nota:

Almanach dos caçadores (joco serio) para o anno de 1862. Lisboa, imp. Nacional, 1861. 8.o gr. de 88 pag. Ornado de muitas gravuras"

[in, Diccionario Bibliographico Portuguez, de I. Francisco da Silva, Vol XIII, letra J-L]

ARTE DE CETRERÍA

"El arte de cetrería", por Félix Rodríguez de la Fuente - Cetrero mayor de España", 1965

"... Conté en mi casa lo que había visto y me enteré que era un halcón. Busqué en el diccionario su concepto y supe que en la Edad Media había sido domesticado por el hombre para cazar. Pensé que algún día conseguiría adiestrar a ese ser rápido y hermoso" [ler,aqui]

Locais: Félix Rodríguez de la Fuente / Félix 25 años de conciencia ecologica Félix Rodríguez de La Fuente (1928-1980) / Félix Rodríguez de la Fuente / Van 23 años sin Félix Rodríguez de la Fuente

domingo, 18 de fevereiro de 2007

[AINDA] LIVRO DE FALCOARIA DE PERO MENINO

Como anotação à obra de Pero Menino - Livro de Falcoaria - será importante registar alguns apontamentos on line, que podem permitir uma melhor compreensão dessa notavél obra de Falcoaria.

Assim, tenha-se em conta o estudo:

- Livros de Falcoaria, do prof. Rodrigues Lapa, in Boletim de Filologia, tomo I, 1932, documento necessariamente incontornável.

- La Version Castellana de Rodriguez de Escobar del Livro da Falcoaria de Pero Menino: localizacion de un fragmento al codice II/1370 de la Real Biblioteca.

- e, Pero López de Ayala - Libro de la caza de las aves.

LIVRO DE FALCOARIA DE PERO MENINO


Livro de Falcoaria [Manuscrito] por Pero Menino

"Cópia do séc. XVI, em letra da mesma mão, da versão do tratado copiada e integrada, no séc. XVI, por Francisco de Mendanha, prior do Mosteiro de S. Vicente, no seu 'Livro de Cestraria', obra conhecida através de um códice adquirido em Lisboa, no ano de 1589, por um inglês e hoje depositado no Museu Britânico (ms. 821, do núcleo Sloane), onde entre outros tratados deste tema compilados por João da Costa, prior de Santa Cruz de Coimbra, aparece este tratado numa versão abreviada a que falta um capítulo, como nos dá conta Gunnar Tilander. A sua última cópia conhecida foi feita por Domingos da Costa em 1617, constituindo a mais completa versão disponível do texto de Pero Menino (BN: ms. 518 POMB), faltando ao códice em tratamento o prólogo, a segunda tábua referente às 'mezinhas e soldas que sam compridoiras, e enfermidades dos falcões e das outras auves caçadoras' e os últimos seis capítulos (...)

Trata-se de um tratado sobre enfermidades das aves, nomeadamente dos falcões, e respectiva terapêutica médica e cirúrgica. Consta de 24 capítulos e foi composto no séc. XIV, a pedido do rei D. Fernando, por Pero Menino, seu falcoeiro. Entre os tratados medievais sobre o mesmo tema e escritos em português, este foi o que alcançou maior autoridade e difusão, tanto em Portugal, como em Castela. Foi traduzido para castelhano entre 1385-1386, pelo chanceler Pero López de Ayala, o qual incorporou este tratado no seu 'Libro de la Caza de las Aves' (1386). Posteriormente, no séc. XV, voltou a ser traduzido por Gonçalo Rodrigues de Escobar, num texto parcialmente editado por Gunnar Tilander, e foi aproveitado por Johan De Sant Fagund, falcoeiro de D. João II de Castela, no seu tratado de falcoaria; citado por Gonzalo Argote de Molina (Nobleza de la Andaluzia, Sevilha, 1588). Em português foi utilizado por por Diogo Fernandes Ferreira (Arte de Altaneria, Lisboa, 1616) (cfr. Dicionário da literatura medieval galega e portuguesa)

Pero Menino (13--) foi falcoeiro de D. Fernando. Sabe-se que em 1382 e 1385 morava em Santarém ou no seu termo, onde possuía bens. Os seus bons serviços e muito provavelmente a sua obra sobre falcoaria, valeram-lhe benevolências por parte dos reis D. Fernando e D. João I, documentadas em cartas datadas de 1382 e 1385, presentes nos libros de Chancelaria de D. Fernando (Liv. 3, f. 28 v.) e da Chancelaria de D. João I (Liv. 1, 86 v. e f. 115) (cfr. Lapa, M. Rodrigues - Livro de Falcoaria de Pero Menino, p. VI-VII, em nota)

Inicialmente atribuída a Mestre Geraldo por Nicolas António, Barbosa Machado, Gabriel Pereira e Carolina Michaëlis de Vasconcelos, veio-se posteriormente a esclarecer a autoria de Pero Menino com a descoberta e edição da cópia contida no ms. 518 da secção Pombalina da Biblioteca Nacional de Lisboa, por Manuel Rodrigues Lapa, onde consta o nome do autor no prólogo (cfr. ms. 518 POMB, f. 30)

Serviu de base à edição feita por Gabriel Pereira com o título: Mestre Giraldo: tratado das enfermidades das aves de caça (segundo um manuscripto do seculo XV), Lisboa: Off. Typographica, 1909 (Sep. da Revista Lusitana, XII, 1909)

Datação foi estabelecida com base na marca de água do papel de ca 1496 (cfr. Ataíde e Melo, n.º 4), muito embora os estudos sobre a obra refiram tratar-se de uma cópia feita no séc. XV.

Autor e obra referidos em: Dicionário da literatura medieval galega e portuguesa / org. e coord. Giulia Lanciani, Giuseppe. - Lisboa: Caminho, 1993, p. 408-409; Pereira, Esteves - Diccionário histórico, chorográphico, heraldico, biográphico, bibliográfico, numismático e artístico III, 725; B. Machado 2, 353; Cepeda, Isabel Vilares - Bibliografia da prosa medieval em língua portuguesa. - Lisboa: Instituto da Biblioteca Nacional e do Livro, 1995, p. 118; Casa dos Livros de Beja: doação de Frei Manuel do Cenáculo à Real Biblioteca Pública da Corte / [org.] Biblioteca Nacional. - Lisboa: BN, 2006, p. 48

Estudos sobre a obra: Vasconcelos, Carolina Michaëlis de - Mestre Giraldo e os seus tratados de alveitaria e cetraria, In Lisboa: Imp. Nacional, 1910 (Sep. da Revista Lusitana, XIII, 1910, 149-432); Lapa, M. Rodrigues - Livro de Falcoaria de Pero Menino, Coimbra, Imp. Da Universidade, 1931; Tilander, Gunnar, Acerca del 'Livro de falcoaria' de Pero Menino, in Revista de Filologia española, 23 (1936), 255-274; Leite, António Pedro de Sousa - O Bispo de Lamego D. João da Costa e a sua copilação de livros de cetraria no manuscrito Sloane 821 do Museu Britânico, Lisboa: Academia Portuguesa de Ex-líbris, 1967 (Sep. do Bol. da Academia Portuguesa de Ex-líbris, A. 12, nº 39)"

[in Biblioteca Nacional]

sábado, 17 de fevereiro de 2007

ARTE DE CAÇA DA ALTANERIA - DIOGO FERNANDES PERREIRA

"Diogo Fernandes Ferreira foi pagem do senhor D. Antonio Prior do Crato, e creado em sua casa desde tenra edade. Parece que nasceu pelos annos de 1546, e vivia ainda ao que se vê em 1616. Nada mais hei podido apurar a seu respeito (...)

Arte da caça da Altaneria, dirigida a D. Francisco de Mello, Marquez de Ferreira, Conde de Tentugal, etc. Repartida em seis partes. Lisboa, por Jorge Rodrigues 1616. 4.º do VI 118 folhas numeradas na frente, afóra o indice no fim (...)

Traz no principio uma advertencia dos vocabulos da arte, e da significacão d'elles, e no corpo da obra mistura algumas vezes com as materias de que tracta differentes noticias mythologicas, philosophicas, e de historia natural, em que se mostra sufficientemente versado para o tempo em que escreveu (...)

Todos os nossos philologos concordam em que esta obra é classica nos termos pertencentes à materia de que tracta, e ainda nos outros foi tida em algum respeito por Francisco José Freire, que nas suas Reflexões sobre a lingua portugueza muitas vezes auctorisa com ella o emprego de certos vocabulos. Porém o sr. Rivara nas notas á parte II das Relexões, pag. 172, extranha que tal se désse: porque, diz elle, a obra lhe parece suspeita em pontos de linguagem, por ser mal e incorrectamente impressa, e achar se crivada de erros, até de regencia da oração; o que não quer dizer que não abunde em muitos termos de falcoaria, etc ..."

[in, Diccionario Bibliográphico Portuguez, de Inocêncio Francisco da Silva, Tomo III]

MESTRE GIRALDO


Mestre Giraldo e os seus tratados de Alveitaria e Cetraria - por D. Carolina Michaëlis de Vasconcelos

[in, Revista Lusitana, Volume XIII, Imprensa Nacional de Lisboa, 1910]

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007

DIÁLOGOS DE LA MONTERIA - LUIS BARAHONA DE SOTO (SÉCULO XVI)



"Diálogos de Montaría" [com estudo preliminar de José Lara Garrido e notas de Antonio M. Fernández, edição da Associación para el Desarrollo Rural de la Comarca Nororiental de Málaga ASR-Nororma, Archidona (Málaga), 2002. A edição de Madrid é de Francisco R. de Uhagón, 1890]

TRATADO DE MONTERIA


Tratado de Monteria del Siglo XV - Duque de Almazan

"(...) Proemio
+
IHESUS
Recuerdome agora, muy noble Señor hermano, ave- / ros una vez dicho, en son más çercano a burla que a / beras, se queríades que os escribiese algo sobre el oficio de la Montería.

Paresçiome en vuestra respuesta que si lo hiciese vos / agradaría, pues tan solamente con el dicho vos agradé; / por tanto deliberé de lo poner en obra, por algunas / razones: la primera, por vos conplazer; la segunda por/que me paresçe que vos levantais montero natural de / coraçon; la terçera, porque mejor creays lo que se que / no dubdares, el amor que vos he, en conocimiento del / qual mas claramente verneys quando aquí veays que por / vos agradar quiero venir en estas dos cosas: la primera, / en aver de haser obra la qual manifestará mi poco saber / a quien por ventura lo ynorava; la segunda, que puedo // pag. 126/ ser retraydo y culpado de presunción en atreverme a /escrever sobre cosa compuesta non solamente por vno / solo mas por muchos syngulares monteros (...)" [continuar a ler, aqui]

[in, 'Tratado de Monteria del Siglo XV', Manuscrito del Museo Británico Publicado y Anotado por el Duque de Almazan. Madrid 1936]

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2007

LIVRO DA MONTARIA

"Livro da Montaria feito por D. João I Rei de Portugal. Conforme o Manuscrito nº 4352 da Bibliotteca Nacional de Lisboa. Publicado por ordem da Academia de Sciencias de Lisboa por Francisco Maria Esteves Pereira. Coimbra, Imprensa da Universidade, 1918"

Eis El-Rei D. João I a aconselhar os monteiros, a ensina-los a que horas passava "o porco-bravo" e como se saberia pelas suas pegadas. O grande caçador disserta, ainda, "como se distingue as pegadas de javali das do veado" e como, por isso mesmo, se deve "examinar a frescura da terra, os paus quebrados, as ervas pisadas, e o orvalho, se o há". Livro de montaria, da perfeita montaria, de caça, mas também um testemunho da própria organização social e política do reino. Afinal servir o Rei seria sempre o mesmo que servir o país. Tanto na guerra como a "cercar" o javali. Obra notável a todos os títulos.

Sobre o livro, refira-se como complemento: Vocabulário de caça no "Livro de montaria" de D. João I, de Maria Madalena Álvaro Dionísio Branco, Lisboa, 1959 / Libro de Montería del rey Juan I de Portugal [ed. facsímile, introd. Manuel Terrón Albarrán e trad. de Gonzalo de Macedo Sherman], Madrid, Circulo de Bibliofilia Venatoria, 1990 [nota: facsímile da copia da BNP] / Bibliografia clássica do livro da montaria de D. João I, por Maria Helena de Teves Costa Urena Prieto, Coimbra, Associação Internacional de Lusitanistas, 1992 / A arte de ser bom cavaleiro [Tese mestrado em Literatura Portuguesa, Univ. Lisboa - Texto policopiado], de Maria Isabel Dias, 1995 / O homem, o animal e a floresta [Texto policopiado]: uma abordagem ao Livro da Montaria de D. João I de Portugal, por Maria Manuela Ribeiro de Almeida Gomes, Univ. do Minho, 1997 / Livro de Montaria feito por El-Rei D. Joao I de Portugal, c/ introdução, leitura e notas de Manuela Mendonça, Mar de Letras, 2003

domingo, 11 de fevereiro de 2007

MANUEL SEVERIM DE FARIA


Manoel Severim de Faria, in Discursos varios politicos ,impressos por Manoel Carvalho, impressor da Universidade, 1624

[ver e ler - aqui download integral da obra - o Discurso III, "Com que condições seja Louvavel o exercicio da Caça"]

La Caza en el Medievo Peninsular - por María Isabel Montoya

« ... caza con aves, 'arte de volatería' o 'cetrería', comenzó a practicarse de forma generalizada en la Península Ibérica en la Alta Edad Media, aunque sería en los siglos posteriores en los que alcanzaría su época de mayor apogeo al convertirse en una de las actividades preferidas por las categorías nobiliarias, especialmente por la más alta aristocracia [Menjot, pág. 255], ya que 'para el guerrero medieval, no se trataba sólo de una diversión, sino que su práctica ayudaba a fortalecer el cuerpo en contacto con los cambios atmosféricos: el calor, la lluvia, el viento...' [Núñez Rodríguez, pág. 539]; es decir, en esa práctica el cuerpo jugaba un papel importante al igual que los caballos, los perros y, cómo no, las aves.

Los beneficios que reportaba al caballero esta forma de caza aparecen en el Libro de la caza con aves del Canciller Ayala:

'(...) Et por escusar estos dapnos que vienen al ánima et al cuerpo en estar los homes ociosos, fallaron aquellos que ovieron de criar los fiios de los reyes et de los príncipes et grandes señores, que los toviesen á todo su poder guardados de ser ociosos, et trabajasen et ficiesen ejercicio por sus personas et cuerpos en algunas cosas buenas et honestas, con que tomasen placer sin pecado, sirviéndose et aprovechándose de las cosas que Dios crió et fizo para servicio del home, segund dicho es. Et entre las muchas maneras que cataron et fallaron para esto, vieron otrosí que era bien que los señores et príncipes anduviesen algunas horas del día, como de la mañana et en las tardes, por los campos, et mudasen el aire, et feciesen con sus cuerpos ejercicio. Et pues que así andaban, que era bien que hobiese homes sabidores en tal arte, que sopiesen tomar de las aves bravas, et las asegurasen et amansasen, et las ficiesen amigas et familiares del home [Canciller Ayala, Libro de la caza con aves, págs.144-145](...)'»

[María Isabel Montoya, La Caza en el Medievo Peninsular - ler o texto aqui]

Libro de los Animales que Cazan - Moamin

Moamin, aliás Mohamed ben Abdulla ben Omar el-Bazyar, falcoeiro do século IX, algures residente em Bagdad, durante o período de ouro do Califado Abásida (e na altura o mais importante centro da cultura muçulmana), deixou-nos uma obra (considerada) excepcional sobre caça, aves, suas enfermidades e demais assuntos. O Livro de Moamin (Book of Maoamin) foi traduzido do árabe para o castelhano, sob os auspícios (possivelmente) de Afonso X, O Sábio, e está conforme o manuscrito (RES 270-217) presente na Biblioteca Nacional de Madrid.

A edição ao lado, "Libro de los Animales que Cazan", tem um estudo e notas de José Manuel Fradejas Rueda, Editorial Casariego, Madrid, 1987.

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2007


ElRey foy á caça

"Entrado o verão, ElRey foy á caça hum dia, com aves e montaria: com elle muytos senhores, que era grão numero de gente. ElRey hia assentado em hum andor aos hombros d’homens, em que se podia asentar em cadeira quando queria, todo forrado de folha d’ouro e pedraria, cuberto com panno de brocado, e outra cubertura mais alta d’outro panno, por resguardo do sol; ElRey vestido de camisas brancas compridas, e em cyma em huma rica cabaia, e na cinta huma adaga d’ouro e pedaria, e na cabeça touquinha branca detrás d’ElRey cem cavallos selados gornecidos d’ouro e prata, cubertos com telizes de panno de seda de cores, compridos até meã perna, que pages levarão a destro; e detrás o seu estribeiro mó. Toda a gente hia afastada pelas bandas casy meo tiro de besta (...) E chegando a hum grande campo onde avia de ser a caça, o caçador mor apartou a gente per ordem derrador do campo, que fiqou em meo espaço de duas legoas e mais; ElRey se pôs no meo do campo ao pé de huma arvore, qm cyma da qual tinha huma casinha em que se pôs alto, que via todo o campo; e com elle estavão homens com aves de todos as sortes, e muy fremosos e grandes falcões, e lebréos, e galgos, e onças caçadoras; onde ally estava Miguel Ferreira com huma lança, que lhe ElRey mandou dar pêra matar a caça.

A gente per fora correrão e baterão os matos, com que deitarão as alimárias péra o campo, per onde corrião e andarão de huma parte pêra outra, de que nom podião fogir, que a gente tinhão cercado, que de todas as partes lhe bradavão e tangião cornetas e bozinhas; com que a gente com muyta ordem se veo çarrando pêra onde estava ElRey, que o campo ficando pequeno era cheo de muytos porqos, veados, gazellas, lebres, e outras muytas sortes d’alimarias, a que ElRey mandava deitar os ca~es, e pelejavão e aferravão a caça, e recolhia hum e mandava deitar outro em ajuda, e assy as onças, que tudo vinha ter ante ElRey"

[Gaspar Correia, Lendas da Índia, ..., Livro Segundo em que se recontão os famosos feitos de D'Afonso D'Alboquerque, ..., Tomo II, Lisboa, Typ. da Academia Real das Sciencias, 1860]
José Paulo de Mira e Carvalho [1808-1883?]

"José Paulo de Mira e Carvalho, nasceu na Vidigueira, a 29 de setembro de 1808. Filho do desembargador José Paulo Teixeira de Carvalho e de D. Francisca Peregrina de Mira. Abastado proprietario, entregando se com paixão ao estudo e aos exercicios venatorios. Vivia na sua casa em Evora, e constava que tinha recusado varias mercês honorificas. Os opusculos, impressos por diligencias e instancias de amigos, têem tido limitadissima tiragem, e o auctor deixava os correr sem retoques, observando que elle não os escrevera para o publico mas para se distrahir. Morre em Evora, creio que em 1883 ou 1884"

Obras: Uma noção da caça do javali. Evora, na typ. do governo civil, 1872. 8.º gr. de 43 pag., e 1 de errata. No fim as iniciaes do auctor / Alguns preliminares para a caçada dos pombos bravos. Ibi, na typ. de Francisco da Cunha Bravo, 1873. 8.º gr. de 39 pag. / Um brado contra as monterias de cerco aos lobos na provincia do Alemtejo. Ibi, na mesma typ., 1875. 8.º gr. de 18 pag."

[in Dicionário Bibliográfico Português de Inocêncio Francisco da Silva, Vol. XIII]

Nota: No Dicionário de pseudónimos e iniciais de escritores portugueses, de Adriano Guerra Andrade (BN), diz-nos que o autor assina também como "J. P. de M. e C."

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2007


Jacques Bugnion [1924-2006]

[nota enviada por Baudouin Van den Abeele, editor, para o newsgroup Medbeast-L, referindo a morte de Jacques Bugnion]

"Chers collègues en études cynégétiques, chers amis,

J'ai le regret de vous annoncer le décès de Jacques Bugnion.

Au mois de janvier, je lui adressais le texte de Jérémy Loncke sur les traités médiévaux relatifs aux chiens (prochain volume de la Bibliotheca Cynegetica), afin qu'il me donne ses remarques d'expert. C'est son épouse qui me répond que Jacques est décédé le 1er janvier, d'un cancer du foie.

C'est assurément une surprise pour tous et une grande perte pour notre domaine d'intérêt commun. Homme de grande affabilité et de grande exigence, il aura été pour plusieurs d'entre nous un interlocuteur passionné. Sa connaissance intime des chiens de chasse et de leur histoire était profonde et nourrie par la pratique.

Le livre auquel il travaillait depuis une bonne dizaine d'année, 'Les chasses médiévales', a heureusement vu le jour à temps, en 2005. Il offre les clefs pour une bonne compréhension des lignages et des métiers des chiens de chasse, domaine qu'il maîtrisait comme personne. Cela a été une grande joie pour lui que de le voir enfin paraître, au terme d'un 'esclavage textuel' dont il me contait avec humour l'avancée. C'est en quelque sorte son testament scientifique et nous pourrons tous recueillir le plus grand bénéfice de sa lecture.

Avec mes sentiments les plus amicaux

Baudouin Van den Abeele" [09(02/2006]

Les chasses médiévales - Jacques Bugnion

"Ce livre, un des premiers ouvrages du genre, expose les différentes techniques que les chasseurs médiévaux utilisaient pour capturer le gibier: archerie, vénerie, volerie, oisellerie, piégeage, etc.

En même temps, il définit les différentes espèces de chiens de chasse: en premier lieu le brachet, le lévrier et l'épagneul, par la suite, les chiens courants, les chiens de force et le chien couchant. Trois directions de recherches sont privilégiées: la nomenclature selon les textes latins, germaniques et français; pour chaque espèce, le métier spécifique issu du dressage et de la sélection; la typologie des nombreuses canines. L'étude commence à la période gallo-romaine, elle couvre les Lois des Nations Germaniques, les chroniques anglo-normandes, les
encyclopédies, les traités didactiques du XIVe siècle et enfin toute la littérature médiévale des XIIe et XIIIe siècle. Pluridisciplinaire, elle suscitera l'intérêt du médiéviste, de l'historien des animaux, du lexicographe autant que celui du chasseur. Le texte est agrémenté d'une illustration de haute qualité, sélectionnée parmi l'abondante iconographie médiévale"

[In Amazon fr, ler mais aqui]

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2007


Incunábulo - [Brézé (Jacques de)]. Le Liure // De la chasse du grant seneschal de // Normendie. Et les ditz du bon // chien soulliart : qui fut au roy loys // de France. xi. de ce nom. S.l. [Paris], PC [Pierre Le Caron], s.d. [1494?]

"C'est sur cet exemplaire que fut faite la réimpression de 1858 par les soins du baron Pichon"

"...le grand sénéchal de Normandie, Jacques de Brézé, personnage historique très important de la fin du xve siècle, lié par son mariage à la famille royale; que ce recueil témoigne, de manière rare, de la multiplication d'éditions en langue vernaculaire, phénomène propre à la France de cette époque; qu'il s'agit du seul exemplaire connu de l'unique édition de ces deux oeuvres et vraisemblablement d'un incunable; que, par la richesse de son vocabulaire cynégétique, son style et sa versification parfaitement maîtrisés, il constitue une source de connaissance exceptionnelle de la langue française à l'orée du xvie siècle; que cet opuscule imprimé, formé au xixe siècle, a figuré dans les collections des bibliophiles français les plus connus; qu'il apparaît donc comme un document remarquable pour l'histoire de l'imprimerie et de la bibliophilie française, ainsi que de la cynégétique" [ver aqui]

Cão de parar - anotações ao livro do Cdt G. de Marolles

O comandante Marolles, considera, para efeitos de um debate sério sobre o "cão de parar", a necessidade de precisar (etimologicamente, historicamente, socialmente) o conceito de "parar" e a expressão associada, "cão de parar", contendo, inevitavelmente, na sua enunciação o termo "pointer". Assim, Marolles re(dis)corre a copiosos trabalhos publicados por especialistas e dedicados exegetas, antigos e modernos, procurando ordenar ideias e assumir postulados. Porque é importante tal resenha bibliográfica, porque é também um delicioso historial da literatura cinegética, registe-se alguns dos autores citados:

- Albert le Grand [De falconibus]
- Aldrovandus [De Quadrepedibus]
- Alphonse Toussenel [L'Esprit de Bêtes, 1847]
- Amédée-Victor Meunier [Sélection et Perfectionnement Animal, 1895]
- Arrien ou Arrianus de Nicomédie [Traité de la Chasse, trad. fr. 1690,..., 1912]
- Buffon (George-Louis Leclerc de) et Lacépède (Comte) [Histoire naturelle générale et particulière, avec la description du Cabinet du Roi, 1749-1789]
- C. A. Piétrement [L'Origine et l'Evolution intellectuelle du Chien d'Arrêt, 1888]
- Charles d'Arcussia [Fauconnerie, Aix, 1598, ed. seg. 1605]
- Desgraviers (Éléonor et Auguste Leconte) [Art du valet de limier, avec la manière la plus simples de dresser un chien de plaine, Paris, Prault, 1784,..., 1786]
- Dunoyer de Noirmont [Histoire de la Chasse, 1868]
- Ferdinand de Cassasoles [Le Guide du Chasseur au Chien d’arrêt, 1864]
- François Saint-Aulaire [Fauconnerie, Paris, 1819]
- Gaffet de la Briffardière [Nouveau Traité de Vénerie, Mesnier Imprimeur, 1725]
- Gaston Phoebus [La Chasse de Gaston Phoebus Comte de Foix,..., 1854]
- Georges Benoist [Nos Chiens de Rapport, Vincennes, 1913]
- Giovanni (Tito) [dito Scandianese] [I quattro libri della caccia, 1556]
- Goury de Champgrand [Traité de Vénerie et de Chasse, Hérissant, 1769,..., 1776]
- Guillaume Tardif [L'Art de la Fauconnerie et les Chiens de Chasse, 1492]
- J. A. R de La Vallé [La Chasse à Courre, Paris, Hachette, 1856]
- J. B. Bastien [Nouvelle Maison Rustique ou économie rurale, 1798,..., 1804]
- Jacques Du Fouilloux [La Vénerie, Poitiers, Marnefz, & Bouchetz freres, 1561]
- Jean-Jacques Langlois [Dictionnaire des termes de Chasse, Paris, Prault, 1739]
- Le livre de la chasse du grand sénéchal de Normandie, éd. Jérôme Pichon, 1858
- Louis Testard [Les Perdrix, Paris, 1900]
- M. G. de Mortillet [Origine de la Chasse et de la Pêche, Paris, 1890]
- Mohamed el Mangali [Traité de vénerie, trad. árabe por Florian Pharaon, 1880]
- Nicolas Koutepof [La Chasse Grand-Ducale et Tsarienne, 1896]
- Olina [Le Parfait Chasseur, 1662]
- P. A. Pichot [La Fauconnerie en Angleterre et en France, 1865 / Les Oiseaux des Sport, 1875, onde vem incluído "Les Chasses d'un Emir syrien du XII siècle"]
- Paul Dechambre [Le Chien, La maison rustique, 1921]
- Pierre Mégnin [Le Chien et ses Races, Editions Vincennes, 1897]
- Schlegel [Traite de Fauconnerie, 1844-1853]
- William Arkwright [The Pointer and His Predecessors, 1902; ed. fr. 1907]
- Xénophon [De la cynégétique, ou Art de la chasse, trad. fr. 1801]