quarta-feira, 17 de janeiro de 2007


[FAUCONNERIE]- Jehan de Franchières

"Cest le liure de lart de faulconnerie lequel frere Jehan de Francieres cheualier de lordre sainct Jehan de Hierusalem, commandeur de Choisy en france a extraict et assemble, cestassauoir Les liures des troys maistres faulconniers cy apres nommez : lesquelz en leur temps furent moult expers & scauans audit art de faulconnerie & selon la nature des faulcons. Ensemble le deduyt des chiens de chasse comme cy apres ce monstrera & sera traicte en ce present liure. Cy finist le liure de lart de faulconnerie [...] nouuellement imprime a Paris pour Pierre sergent demourant en la rue Neusue nostre dame a lenseigne sainct Nicolas. Sensuyt le liure des chiens de chasse. Cy finist le liure des chiens de chasse [Paris,] s.d. [ca 1532]" [ver Aqui]

terça-feira, 16 de janeiro de 2007


Livros Portugueses sobre o Cão de Parar

"Ferreira, Dioguo [Diogo] Fernandez [Fernandes] - Arte de Caça da Altane[a]ria, dirigida a D. Francisco de Mello, ..., na Off. de Jorge Rodrigues, Lisboa, 1616 [reeds: Edição Mello d'Azevedo, 1899 em II vols; Edição Diana, 1959]

[Esta rara e estimada obra clássica "Arte da caça da altaneria composta por Dioguo Fernandez Ferreira ... Repartida em seis partes. Na primeira trata da criação dos Gauiães & sua caça. Na segunda dos Assores & sua caça. Na terceira dos Falcões & sua caça. Na quarta de suas doenças & mezinhas. Na quinta das Armadilhas. Na sexta da passagem & peregrinação das aues", é de autoria do outrora pajem de D. António Prior do Crato [Inocêncio], falcoeiro e moço da Câmara Filipe II, Diogo Fernandes Ferreira (n. 1546)]

Anachoreta, Henrique - Álbum Synoptico das Principais Variedades de Cães de Mostra, Lisboa, 1901 / Livro da Montaria, feito por D. João I, Rei de Portugal, publicado por ordem da Academia das Sciências de Lisboa, por Francisco Maria Esteves Pereira, Impr. Universidade, 1918 [aliás entre 1415 e 1433], LXV, 465 p. [segundo o ms manuscrito nº 4352 da Biblioteca Nacional de Lisboa] [nova edição por M. Lopes de Almeida, Lello & Irmão, Porto, 1981 e uma outra pela Mar de Letras Editora, Ericeira, 2003] / Pero, Menino - Livro de Falcoaria, introd. notas e glossário Rodrigues Lapa, Coimbra, Impr. da Universidade, 1931, LXVII, 91 p. [reed. Coimbra, Impr. Universidade, 1999]

[Pero Menino, falcoeiro de D. Fernando, elaborou o "Livro de Falcoaria", uma obra notável de cetraria, por encomenda do seu Rei, e que serviu de fonte a diversas obras posteriormente feitas, tais como o "Tratado de Falcoaria de D. João II de Castela" ou o "Libro de la Caza de las Aves" de Pêro Lopez de Ayala, que o traduziu quase literalmente. (refª á curiosa separata da Academia Portuguesa de Ex-Libris, intitulada "O Bispo de Lamego D. João da Costa e a sua copilação de Livros de Cetraria no manuscrito Sloane 821 do Museu Britânico", escrita por António Pedro de Sousa Leite, 1967). O manuscrito original de Pero Menino perdeu-se de todo e só se conhece algumas cópias, entre as quais a mandada fazer pelo Bispo D. João da Costa (está no Museu Britânico), a cópia descoberta pelo professor Rodrigues Lapa (ms. 518 da Colecção Pombalina) e uma outra (ms 2294 do Fundo geral da BN) publicada por Gabriel Pereira. Curiosamente na obra de Pero Menino é referido um livro anterior de altanaria, autoria de João Martins Perdigão, dito falcoeiro de D. Dinis, e que o nosso falcoeiro diz conhecer]

Carmona, Leopoldo Machado - Estudos sobre o Perdigueiro Português. Tese apresentada ao I Congresso Nacional de Caça e Tiro, Bol. Ass. Perd. Port. Nº 36, Lisboa, 1937, 7-31 p. / Sanches, J. Dias - O caçador e o cão de caça [raça de cães de caça; ensino do cão; higiene, teoria do caçador; lei e regulamento da caça], Livr. Popular de Francisco Franco, Lisboa, 1938, 119 p. / Barroso, Domingos - O Perdigueiro Português, Gazeta das Aldeias, Porto, Typ. Mendonça, 1948, 150 p. [reed. 1962, 1990] / Bravo, João Maria - O Ensino do Cão de Parar, Lisboa, Tip. Imp. Sociedade Astória, 1951, 127 p. / Andrade, Ruy de - A minha experiência no ensino do pointer, Lisboa, 1959, 81 p. / Barroso, Domingos - Perdigueiros e Lebres, Revista Diana, 1948, [reed. 1962] / Branco, Manuel Castelo - Criação de Cães, Editorial Notícias, Lisboa, 1969 / Barroso, Domingos - Colectânea de textos sobre o Podengo Português, C.P.P. (Clube do Podengo Português), ed. policopiada / Correia, Manuel J. - O Perdigueiro Português, Ed. Presença (Tempos Livres nº 113), 1981, 159 p. / Costa, Moisés do Nascimento - Ensino do Cão Perdigueiro, Porto Editora, Porto, 1984 / Rodrigues, Jorge - Perdigueiro Português. O Cão de Parar, Inapa, Lisboa, 1993, [10], 209, [4] p. / Barroso, Domingos - Ainda o Perdigueiro Português, Tipave, Aveiro, 1994 [coord. Sérgio Paulo Silva], 66 p. / Barroso, Domingos - Conselhos velhos para caçadores novos, Edição S.P.S, s.d. / Piçarra, Jorge - Em honra do Cão de Parar. Técnicas de ensino e treino, Tema, Lisboa, 1998, 111 p. / Veiga, Vítor - Raça de Cães Podengo, Tip. Peres, Amadora, 2001, 276 p. / Piçarra, Jorge - Cão de Parar. Uma Paixão, Inapa, Lisboa, 2004"

[in Almocreve das Petas]

O Cão de Parar - anotações

«Um núcleo de estudo organizado sobre o assunto, utilíssimo aos amantes do cão de parar, abarca obras importantes e curiosas de velhos livros, memórias esparsas em artigos de revistas e jornais, pois a matéria é de muito merecimento e apreço. Não espanta, portanto, que verdadeiras preciosidades e raridades a vários respeitos, desde livros de cetraria, altanaria ou montaria, que podem contribuir para compor o essencial das notas históricas e bibliográficas sobre o assunto, apareçam em lugar importante, lado a lado com valiosos artigos em revistas [que mais tarde falaremos].

Assim, além das já referidas edições, interessa referir os trabalhos de:

Alfonso XI [Libro de la Montaría], Chamerlat, Elzéar Blaze [Le chasseur au chien courant ..., 1838], Félix Rodríguez de la Fuente [El Arte de Cetrería], Fernando Tamariz de la Escalera [Tratado de la Caza del Vuelo, 1654], Frederic II de Hohenstauffen [De arte venandi cum avibus], G. Marolles [Chiens de Faucon], Gabriel Pereira [As Caçadas, Évora, 1892], H. Schlegel & A. H. Wulverhorst [Traité de Fauconnerie, 1844-1853], Henrique da Gama Barros [História da Administração Pública em Portugal nos Séculos XII a XV, 1922], Jean de Francieres [Livre de lart de faulconnerie, 1532], José Gutierrez de la Veja [La Ilustración venatória], Juan Vallés [Libro de acetrería y montería], Luis Barahona de Soto [Diálogos de Montaría], Mestre Giraldo [Tratado das Enfermidades das Aves de Caça], Moamin [Libro de los Animales que Cazan], Pero Menino [Livro de Falcoaria], Pero López de Ayala [Libro de la Caza de las Aves], do Rei Dancus [Tratado da cetraria], William Arkwright [The Pointer and His Predecessors], Xenofonte [livros de arte de caça ou cinegética], etc

entre outros mais publicados anónimos, que a colecção é imensa e apreciada»

[in Almocreve das Petas]

segunda-feira, 15 de janeiro de 2007


O Cão de Parar

"A primeira arte do homem, escreveu Buffon, foi educar o cão e, pelo cão, é que ele chegou à conquista e posse do mundo" [Padre Domingos Barroso]

"... um cão perdigueiro de dous narizes, o melhor da matilha" [Camilo]

«O debate sobre o cão de parar ainda não está, completamente, encerrado. Ao elogio do cão (de aves, de falcão, de busca, de mostra, de parar) o bom senso diz-nos que é provável que a paixão pelo cão de parar, e a estima pelo perdigueiro lusitano em particular, o seu "equilíbrio estético", alegria, humildade e obediência, ou mesmo o aperfeiçoamento morfológico que a raça impõe, essa estima provada que se têm por esse admirável "caminheiro" e "buscador" incansável nunca nos fará esquecer a controvérsia estimulante sobre a sua origem e o seu estudo.

Não é invulgar que a questão sobre a narrativa e origem do cão de parar (em particular o perdigueiro português) nos convide a traçar, olhos na terra & auxílio do céu, as antigas artes de cetraria, altanaria ou montaria. E se, a partir dos tratados que nos chegaram incólumes, posteriormente, se passe à converseta sobre as virtudes do "governo do príncipe" e à reflexão sobre o poder, do seu exercício & avisamentos, o que torna a prosa cada vez mais instruída e de pregação proveitosa, não sugere nada de estranho nem tão-pouco pode ser impensável. Afinal ... isto anda tudo ligado.

Do sabujo (de trela, de correr, de buscar) usado na montaria - esse cão ibérico, que os "franceses reconstruiriam" no "seu epagneul" e os ingleses formaram como "setter" ou "cocker-spaniel" [Correia, Gazeta Aldeias, 1921], apresentado no "Livro da Montaria de D. João I" e que Diogo Fernandes Ferreira também refere [Arte de Caça da Altaneria, 1616] - ao não menos antigo alão - entusiasmo maior do Mestre de Avis e que pode ser a "origem dos dogges da Alemanha" [Correia, 1921] - passando pelo podengo - admirável cão de mostra usado na caça de altanaria, como nos diz Diogo Fernandes Ferreira, muito referenciado nas Ordenações de D. Afonso III de 1621 e de agrado particular do Padre Domingos Barroso - até aos bracos peninsulares - usados em Portugal com o nome de perdigueiro, formidáveis descendentes do excelente "chien d'oysel" de que fala Gaston Phébus, aliás Conde de Foix [Le Livre de Chasse, ms. 616 da BNF, 1387-89] e que são ainda conhecidos por "Navarros", por braco espanhol em França, ou por "pachons", perdigueiro tão usados por caçadores lusos [refª Correia, 1921 e Henrique Anachoreta, 1903], ou mesmo por "pigarços" - existe toda uma literatura e bibliografia verdadeiramente notável, de interesse e respeito»

[in, Almocreve das Petas]

Alguns textos revisitados

"Os cães de caça brincam no pátio, mas a lebre não lhes escapará, embora ainda neste momento corra veloz pela floresta" [Kafka]

No Almocreve das Petas, escrevinhámos três textos curiosos, in limine litis. O afago e o testemunho (bem complacente, diga-se) então erguidos, têm aqui pertença. Por isso, para iniciar esta porfiada empresa e satisfazer ledores exigentes, será mister ordenar as matérias (então) aparecidas, para que o conjunto tenha seguimento próximo.

Assim, iremos reproduzir os três textos, anteriormente citados, tal como foram dados a ler. Imprimatur ... pois!

domingo, 14 de janeiro de 2007

O CÃO DE PARAR - EDITAL


"um cão perdigueiro de dous narizes, o melhor da matilha" [Camilo]

Sendo presente que existe um conjunto estimado de documentos escritos sobre o cão de parar, de altíssima memória, ou trabalhos autorizados sobre o elogio do cão - "de aves, de falcão, de busca, de mostra, de parar" - e outros, bem valiosos, que a poeira dos arquivos condena ao esquecimento; sabendo que há um grémio de ilustres e respeitados amantes das "antigas artes de cetraria, altanaria ou montaria" e do perdigueiro português, em particular; não se desconhecendo que o debate, entre diligentes espíritos lusitanos, levanta inspiradas perplexidades, generosas polémicas e amenas narrativas, quase sempre de quantiosa erudição; vêm estes apontamentos dar testemunho da vivacidade sobre o estudo e a grandeza do debate sobre o "cão de parar", louvando e prestando homenagem fraternal ao Mestre A. C., cuja familiaridade e sensibilidade a esta narrativa nos assombra e encanta. A ele, pois, este espaço de conversação e de elogio do cão.

Declaramos, pois, que O Cão de Parar está aberto a todos os seus amantes, recenseando informações e memórias (bio)bibliográficas, registando curiosidades, elogios, testemunhos, notícias e apontamentos, para que destas inscrições & impressões se desenvolva o gosto e o mérito sobre este antiquíssimo saber, que põe em convívio a natureza, o homem, os deuses e os animais. Que a demanda seja proveitosa.

E para que conste, aos leitores, se fez este edital. Vale!