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quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

SPANISH POINTER (pp.125-127) DE TAPLIN E GRAVURA DE SCOTT POR REINAGLE


SPANISH POINTER (pp.125-127) E GRAVURA DE SCOTT SEGUNDO ORIGINAL DE REINAGLE - [By a Veteran Sportsman] William Taplin, "The Sportsman's Cabinet", 1803, Vol 2.

A edição digitalizada pelo ARCHIVE.ORG do “The sportsman's cabinet, or A correct delineation of the canine race (1803)”, referida por nós AQUI, apresenta um capítulo só para o Spanish Pointer. Porém, curiosamente, faltam as páginas 126 e 127 (há um salto da p. 125 para a p. 128). Por sua vez, a gravura de Scott - que não apresenta pernas curtas como Taplin o descreve - segundo original de Philip Reinagle, Spanish Pointer, está no livro, contra a página 125, como seria de esperar.

O Spanish Pointer segundo original de P. Reinagle - gravura de J.Scott, publicada pela primeira vez no Sportsman Cabinet...de Taplin sai anos depois. Por vezes aparece a cores nalguns exemplares, como no Sportsman's Repository... de John Scott, virada também para a p. 114.

Há algumas referências bibliográficas à gravura Spanish Pointer segundo Reinagle, que se deve referir.

- The pointer and his predecessors; an illustrated history of the ... , 1ª ed., 1902, de William Arkwright: gravura AQUI (seg. 104 p.) e a legenda da PLATE XXI, pág. 213, AQUI ["From an engraving, undated, by J. Scott, after Philip Reinagle, R. A., who edhibited from 1773 to 1832. A spirited picture of a black-and white Spanish pointer, showing all characteristics of a perfect specimen of his race. In my own Possession" – p. 213]

- o padre Domingos Barroso (pp.143-144) n'O Perdigueiro Português, comenta um artigo de Rohan de Kermadec, que transcreve da revista “L’Eleveur” de 18 de Novembro de 1928 (pp.524-525). Kermadec publica a gravura de Scott segundo Reinagle, “Spanish Pointer” intitulando-a: "le vieux Burgos dans le Sportsman's Magazine", L'Éleveur, 18/11/1928, p. 624.

Regressemos a Taplin, The sportsman's cabinet (Volume v.2)ver/ler acima [clicar em Fullscreen para aumentar] ou via Slideshare – e apresente-se as páginas em falta, pp. 126-127.

[TRADUÇÃO - sublinhados nossos]

"O cão com esta denominação, ao princípio tantas vezes visto e tão bem lembrado pelos mais velhos desta geração, está tão completamente mudado pelas vários cruzamentos especulativos e experimentais com as raças do nosso próprio país (incluindo pointers, setters, fox-hounds e spaniels) que um cão desta raça em estado puro e não misturado é muito raramente encontrado. Todos os dados recolhidas acerca do seu aparecimento em Inglaterra indicam que desde o início apareceram em Inglaterra introduzidos de Espanha; e que tinham origem no país do qual o seu nome tinha derivado. O Spanish-Pointer na forma, aspecto, poder, parecendo estúpido e de corpo lento é um perfeito espécime da maior consiste uniformidade; bem adaptado em todas estas qualificações, arrogante, soporífero, de porte de dignidade majestática dum Espanhol pomposo, mas muito inadequado para a vida, espírito ágil e energia impaciente dum sportsman Inglês. Esta raça de cão, no seu estado natural e não melhorado é uma massa de inactividade, como é evidentemente perceptível pelo seu porte e forma; em todos os pontos das quais se exibe o completo reverso da velocidade e acção, objectos tão verdadeiramente necessários em todos os desportos do campo. O pointer desta descrição tem a cabeça pequena larga na testa, larga no nariz e extensa nas narinas apenas simplesmente cuidadas no aspecto, largos nos ombros, curtos nas pernas, de carcaça quase circular, quadrados nas traseiras, fortes nos rins e, de modo notável, nos quartos traseiros. Apesar disso, esta raça, tal como o English-pointer (por muitas ajudas colaterais melhorasse muito) aparecem em várias cores embora o castanho escuro fígado e branco seja a cor mais predominante. Estes cães, lentos como são e dados a cansarem-se rapidamente antes do dia de caça chegar a meio (com os que estão na força da vida e acostumados adequadamente à fadiga) são ainda verdadeiramente adequados para os caçadores que já são de idade avançada ou sofrem de doença que se sentem incapazes de ir por montes e vales como conseguiam em jovens.

Para os doentes e caçadores veteranos, que desejem abandonar os seus prazeres só quando a vida se for e ainda continuam com a espingarda, com entusiasmo e gozo no exercício ao ar livre, para perservarem a saúde no vale da sua existência, o Spanish-pointer parece, a todo o respeito, o melhor cálculo como companheiro de campo. Possuindo, por natureza, a maior capacidade olfatória e a mais maravilhosa precaução na aproximação da caça, somada à sua implícita obediência às palavras de comando e a sua incrível paciência, tornam-no, para os caçadores que acima descrevemos, verdadeiramente preferíveis a qualquer raça mais ligeira que possa ser trazida para o campo. Cães jovens e rápidos, que muito se atrapalham antes de fazerem ponto e, depois, impacientemente investem sobre as aves e provavelmente as perseguem no ar, são más escolhas para a caça de caçadores invalidados ou doentes. Pelo contrário, o Spanish-pointer possuiu uma tal propensão para parar, que não avança um centímetro até que a caça voe ou corra; a sua paciência é tão grande mesmo nessa posição, que em muitas ocasiões, como é sabido e muitas vezes apostado, onde cães assim como os descritos foram deixados a apontar parados a caça, enquanto os donos foram para casa (a grande distância), por uma espingarda e encontraram o cão ainda imóvel e parado a apontar.

Esta propriedade é tão verdadeiramente predominante nesta classe da espécie, que os cães jovens não necessitam de treino perturbante no que respeita à sua instrução quando comparados com os mais ligeiros obtidos por cruzamento, nos quais a susceptibilidade do faro foi, em grande grau, sacrificada a uma maior aquisição de velocidade; pelo que, não há a mais pequena dúvida, se o objectivo é cobrir muito maior quantidade de terreno provavelmente nem por isso proporcionalmente mais quantidade de caça será abatida. O pointer de que estamos agora a tratar, embora lento em excesso e geralmente admitido como seguro; interminável e minucioso na sua busca é raramente visto falhar a caça onde exista caça para ser encontrada; isto não é assim com a raça muito refinada que colateralmente cruzada e voltada a cruzar com o fox-hound, se torna excessivamente veloz e proporcionalmente com menos nariz e que não é incomum vê-la atropelar a caça. Um pointer de qualquer raça que seja não é considerado um critério de excelência no campo, a menos que possua o seguinte conjunto de qualidades; fazer a busca cruzada com regularidade para encontrar a caça rapidamente e permanecer parado quando a encontra, avançar quando requerido e retroceder quando a carregar. Quando um bando de aves é separado por tiros repetidos e, depois, é caçada cada ave uma a uma, o pointer que estamos a descrever tem oportunidade de mostrar a sua melhor habilidade, recuperar industriosamente estas aves espalhadas; a maior parte delas (se o cão for acompanhado dum bom atirador) são geralmente apanhadas de certeza. Para cobrar as feridas de asa e abatidas, a paciência e perseverança deste cão é peculiarmente adaptada; e, para a caça de tiro de eleição, de excelência, são dados como de preferir a qualquer outro. Acerca do assunto do dressage já tanto foi dito sobre o título Pointer, na primeira parte do trabalho, assim como em todas as formas de caça com ‘Setting-dogs’ e ‘Springin-Spaniel’, que alargar mais o assunto seria ir além do que se é obrigado
"

segunda-feira, 19 de julho de 2010

LE CHIEN ROTHSCHILD OU EM BUSCA DO “OLD PORTUGUESE POINTER” - PARTE II


Henrique Anachoreta [in "Cão de Mostra", revista A Caça, 1903?, p. 38] coloca uma ilustração da "cabeça de perdigueiro peninsular de uma gravura antiga", sem que nos diga o seu autor e a sua proveniência [terá sido via Mégnin, que por sua vez a retirou de Stonehenge?].

Leopoldo Machado Carmona apresenta-a ["Chien d’arrêt portugais". Gravure ancienne – gravura acima, ver AQUI], sem nomear o autor, pronunciando apressadamente como pertença do livro "Le Chien", edição J. Rothschild [1876; 2ª ed.1884], sem registar que o livro é, como se sabe, a tradução francesa [onde não se refere o tradutor, não consta nota introdutória, não assina os autores das ilustrações, sendo mesmo algo defeituosa na tradução, induzindo em erro, caso da omissão do pequeno parágrafo sobre o "Portuguese Pointer" presente no original] do "The Dog, in Health and Disease", de Stonehenge [aliás, John Henry Walsh – que AQUI apresentámos] e que a gravura usada [curiosamente não assinada] era de Luke Wells ["Spanish Pointer"], conforme a edição original do livro de Stonehenge. De imediato os nossos investigadores assumiram, estranhamente sem contraditório, a gravura como tal e por isso a figura é, por vezes, citada como "Le Chien" Rothschild. Que dizer mais!?

O ilustrador Luke Wells, desconhecido da maioria dos investigadores, aparece portanto truncado, passe os seus extraordinários trabalhos na revista Field e em livros de Charles Darwin. Na verdade há que dizer que Stonehenge não foi muito claro no que escreve em "The Dog", pois lê-se sobre a gravura (assinada por L. Wells), "...and I therefore insert a copy of an old and well-known portrait of the animal [o Spanish Pointer], which is acknowledge to be correct, and gives his points with great fidelity..." [p.89 – ver AQUI], o que levou alguns a tentar descobrir a original gravura do cão, quando esta já era demais conhecida [voltaremos noutra ocasião a esta questão sobre a gravura com a assinatura de L. Wells].

Registe-se, ainda, que o Conde Henri de Bylandt no seu celebérrimo livro [Races de Chiens, Bruxelas, 1894] chama á mesma gravura "Bolero", levando muito mais tarde Jorge Rodrigues [in, O Perdigueiro Português. O Cão de Parar, Inapa, 1993, p. 29] a incluir no seu livro uma gravura do "velho perdigueiro ibérico do século XVIII", Bolero de Van Derr Herr, retirado [sic] do Conde Bylandt, mas que, e curiosamente, vai buscar (decerto) a J. M. Sanz Timon ["El Perro de Muestra Ibérico" (I, II), Perros de Caza, nº 9 e 10, 1991, págs. 67-69], porquanto não inclui na bibliografia consultada o livro de Bylandt.

Domingos Barroso identifica a gravura de L. Wells como "o papá dos nossos perdigueiros" [p. 82-A, op. cit.]. Por sua vez, Robert Martineau [Presidente do Club Francês do Pointer] ilumina a gravura com a legenda "Reproduction d'une gravure ancienne", assinando R.M. [Robert Martineau], referindo [no livro] que se tratava do "Braque de Portugal de l'ancien type". A dúvida porfiava entre os peritos e a contradição na demanda da gravura original, teimosamente mantinha-se. Na verdade, o estudo e a saga dos "modernos" não é, pelo seu registo, nem muito feliz nem impressiona. E a confusão acentua-se á medida que a narrativa é (re)construída. Como veremos!

LE CHIEN ROTHSCHILD OU EM BUSCA DO “OLD PORTUGUESE POINTER” - PARTE I


A pesquisa iconográfica à volta da putativa representação primeva do ancestral perdigueiro português ("the old portuguese pointer"), carta patente para o construído teórico final sobre o "perdigueiro português" que distintíssimos autores portugueses clássicos do cão de parar requereram em entusiasmo patriótico, é uma bondade - sempre adornada de curiosas omissões das fontes documentais e lacunas de inventariação - quase sempre inanimada entre manipulações admiráveis, fantasiosa opinião e fábulas nada inocentes.

Sendo incontestável a competência dos nossos investigadores credenciados do cão de parar, está longe, porém, de se ter resolvido a génese da sua problemática, porque esta é (a nosso ver) fundamentalmente uma questão de metodologia: sobre o processo de caça, da função e ensino do cão, da genética à investigação da iconografia dos antecessores do Perdigueiro Português, pois certamente que sim, mas onde também, ou principalmente, se exige que esteja aí presente o reconhecimento e validação de um discurso cinológico que tenha em conta as obras produzidas e os contextos, isto é os complexos discursivos [ver sobre o assunto Patrick Tort, "La Pensée Hiérarchique et l'Evolution", Paris, Aubier, 1983, pp-43-57; "Les complexes discurifs, La Raison Classificatoire", Paris, Aubier, 1989] representativos do campo científico e dos sistemas de pensamento. Isto é, a nosso ver, há que encontrar um aparelho epistemológico apropriado que articule e faça conjugar [cf. João Maria André] as versões internalistas (sucessão de teorias, refutações e/ou substituições de teorias) com as versões externalistas (contextos históricos, económicos, políticos e institucionais), reconstruindo o saber, desestruturado que foi numa "metáfora de espaços vazios" onde os conteúdos e produções ideológicas dominam e ocupam o discurso científico, fazendo passar-se por ele [voltaremos a esta questão da "invasão das ideologias", em concreto, no campo do discurso nacionalista presente, ao que julgamos, na evolução do debate sobre o "cão de parar"].

Mais: não equacionando deste modo, aquilo que é o nosso reparo á generalidade dos investigadores, cai-se no perigo de enramar a "fronte dos nossos cães com coroas de louro" [para citar, com todo o gosto, o padre Domingos Barroso quando se refere ao proselitismo patrioteiro de Leopoldo Machado Carmona sobre a origem nobiliárquica do perdigueiro português – p.71 da sua obra] numa tecnologia iconográfica caprichosa e eivada de lirismo, e que no fim produz uma narrativa pastoral que é uma manifesta e desnecessária trapalhada.

Regressando à questão da busca da gravura original do "perdigueiro português", que a este post diz respeito, apresentamos acima, porque nos parece conclusivo, a imagem [p. 178, aliás p. 197 na obra digitalizada pelo Google] "Le pointer espagnol", com assinatura visível de Luke Wells, retirada da estimada obra: Histoire physiologique et anecdotique des chiens de toutes les races par Bénédict-Henry Révoil. Préface et post-face par Alexandre Dumas, Paris, E. Dentu, Libraire-Éditeur, 1867.

A questão iconológica à volta da gravura de Luke Wells, que aparece repetidamente nas obras portuguesas sobre o cão de parar como sendo a representação excepcional do ancestral perdigueiro português, é surpreendente de se seguir:

[continua]

sexta-feira, 4 de junho de 2010

HOMENAGEM A DOMINGOS BARROSO



FOTO: Padre Domingos Barroso [1889-1972] e Eurico Basto Correa



HOMENAGEM AO PADRE DOMINGOS BARROSO - 1ª PARTE



HOMENAGEM AO PADRE DOMINGOS BARROSO - 2ª PARTE

via Homenagem da Associação do Perdigueiro Português ao Padre Domingos Barroso, em Vilar de Perdizes, Maio de 2008

in Favoritos do Canal do YouTube do "Cão de Parar".