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domingo, 20 de junho de 2010

PRÍNCIPE BALTASAR CARLOS (CAÇADOR) - VELÁZQUEZ



El príncipe Baltasar Carlos, Cazador - Retrato por Velázquez (Diego Rodríguez de Silva y), 1635 (a 1636), 191 cm x 103 cm - Museu Nacional do Prado [clicar na foto]

O Príncipe Baltasar Carlos de Áustria (Habsburgo), nasce a 17 de Outubro de 1629 (Madrid) e morre a 9 de Outubro de 1646 (Saragoça). Era filho do Rei Filipe III de Portugal [IV de Espanha] e da Rainha Isabel de Borbon. Curiosamente, até 1640 era o príncipe herdeiro de Portugal. Morre (vítima de doença) cedo e está bem representado nos quadros de Velazquez. Como é referido no site do Museu do Prado, a caça "es considerada como una actividad muy apropiada para la educación de los monarcas y, desde muy joven, el Príncipe destaca por su gran habilidad y pericia en las jornadas cinegéticas".

O retrato do Príncipe Baltasar Carlos, como caçador, é referido por Leopoldo Machado Carmona [figura III, ver AQUI] no texto que AQUI postámos, com a curiosidade de salientar o putativo engano de Castets sobre o tipo de cão presente no retrato , afirmando que (no seu entender) se trata de um braque português com sangue navarro, atendendo às características do cão que é dado observar (e à coleira do cão que terá, mesmo, equivocado Castets). Tais características do animal seriam comuns e "vulgares" em Portugal, pelo que Leopoldo M. Carmona considera estar-se na presença do originário cão de parar português.

É evidente que a coleira do cão (conforme AQUI já referimos) será importante. E por isso mesmo, face às sábias palavras de Leopoldo Carmona, a perplexidade existe, porque é bem possível que Carmona não tenha tido em devida conta que o cão que figura no retrato do Príncipe Baltasar Carlos seria um limier (a iconografia da coleira, oblige - ver bibliografia sobre o assunto AQUI), o que faz toda a diferença argumentativa. Ora nunca Leopoldo Carmona refere essa (real) possibilidade ao longo do seu texto. [voltaremos a esta questão]

domingo, 13 de junho de 2010

LE CHIEN D'ARRÊT DU PORTUGAL - LEOPOLDO MACHADO CARMONA



LEOPOLDO MACHADO CARMONA - "Le chien d'arrêt du Portugal souche du pointer actuel" L'Eleveur, 6 de Outubro de 1935 [clicar em full para ler em ecrã total]

quarta-feira, 9 de junho de 2010

INFLUÊNCIA DO PERDIGUEIRO PORTUGUÊS NA FORMAÇÃO DO POINTER - MANUEL CORREIA



EXTRACTO (com a devida vénia) de MANUEL CORREIA, Capítulo XI, "A INFLUÊNCIA DO PERDIGUEIRO PORTUGUÊS NA FORMAÇÃO DO POINTER" - in "O PERDIGUEIRO PORTUGUÊS" [clicar em FULL, para ler em ecrã total]

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2007


Cão de parar - anotações ao livro do Cdt G. de Marolles

O comandante Marolles, considera, para efeitos de um debate sério sobre o "cão de parar", a necessidade de precisar (etimologicamente, historicamente, socialmente) o conceito de "parar" e a expressão associada, "cão de parar", contendo, inevitavelmente, na sua enunciação o termo "pointer". Assim, Marolles re(dis)corre a copiosos trabalhos publicados por especialistas e dedicados exegetas, antigos e modernos, procurando ordenar ideias e assumir postulados. Porque é importante tal resenha bibliográfica, porque é também um delicioso historial da literatura cinegética, registe-se alguns dos autores citados:

- Albert le Grand [De falconibus]
- Aldrovandus [De Quadrepedibus]
- Alphonse Toussenel [L'Esprit de Bêtes, 1847]
- Amédée-Victor Meunier [Sélection et Perfectionnement Animal, 1895]
- Arrien ou Arrianus de Nicomédie [Traité de la Chasse, trad. fr. 1690,..., 1912]
- Buffon (George-Louis Leclerc de) et Lacépède (Comte) [Histoire naturelle générale et particulière, avec la description du Cabinet du Roi, 1749-1789]
- C. A. Piétrement [L'Origine et l'Evolution intellectuelle du Chien d'Arrêt, 1888]
- Charles d'Arcussia [Fauconnerie, Aix, 1598, ed. seg. 1605]
- Desgraviers (Éléonor et Auguste Leconte) [Art du valet de limier, avec la manière la plus simples de dresser un chien de plaine, Paris, Prault, 1784,..., 1786]
- Dunoyer de Noirmont [Histoire de la Chasse, 1868]
- Ferdinand de Cassasoles [Le Guide du Chasseur au Chien d’arrêt, 1864]
- François Saint-Aulaire [Fauconnerie, Paris, 1819]
- Gaffet de la Briffardière [Nouveau Traité de Vénerie, Mesnier Imprimeur, 1725]
- Gaston Phoebus [La Chasse de Gaston Phoebus Comte de Foix,..., 1854]
- Georges Benoist [Nos Chiens de Rapport, Vincennes, 1913]
- Giovanni (Tito) [dito Scandianese] [I quattro libri della caccia, 1556]
- Goury de Champgrand [Traité de Vénerie et de Chasse, Hérissant, 1769,..., 1776]
- Guillaume Tardif [L'Art de la Fauconnerie et les Chiens de Chasse, 1492]
- J. A. R de La Vallé [La Chasse à Courre, Paris, Hachette, 1856]
- J. B. Bastien [Nouvelle Maison Rustique ou économie rurale, 1798,..., 1804]
- Jacques Du Fouilloux [La Vénerie, Poitiers, Marnefz, & Bouchetz freres, 1561]
- Jean-Jacques Langlois [Dictionnaire des termes de Chasse, Paris, Prault, 1739]
- Le livre de la chasse du grand sénéchal de Normandie, éd. Jérôme Pichon, 1858
- Louis Testard [Les Perdrix, Paris, 1900]
- M. G. de Mortillet [Origine de la Chasse et de la Pêche, Paris, 1890]
- Mohamed el Mangali [Traité de vénerie, trad. árabe por Florian Pharaon, 1880]
- Nicolas Koutepof [La Chasse Grand-Ducale et Tsarienne, 1896]
- Olina [Le Parfait Chasseur, 1662]
- P. A. Pichot [La Fauconnerie en Angleterre et en France, 1865 / Les Oiseaux des Sport, 1875, onde vem incluído "Les Chasses d'un Emir syrien du XII siècle"]
- Paul Dechambre [Le Chien, La maison rustique, 1921]
- Pierre Mégnin [Le Chien et ses Races, Editions Vincennes, 1897]
- Schlegel [Traite de Fauconnerie, 1844-1853]
- William Arkwright [The Pointer and His Predecessors, 1902; ed. fr. 1907]
- Xénophon [De la cynégétique, ou Art de la chasse, trad. fr. 1801]

segunda-feira, 15 de janeiro de 2007


O Cão de Parar

"A primeira arte do homem, escreveu Buffon, foi educar o cão e, pelo cão, é que ele chegou à conquista e posse do mundo" [Padre Domingos Barroso]

"... um cão perdigueiro de dous narizes, o melhor da matilha" [Camilo]

«O debate sobre o cão de parar ainda não está, completamente, encerrado. Ao elogio do cão (de aves, de falcão, de busca, de mostra, de parar) o bom senso diz-nos que é provável que a paixão pelo cão de parar, e a estima pelo perdigueiro lusitano em particular, o seu "equilíbrio estético", alegria, humildade e obediência, ou mesmo o aperfeiçoamento morfológico que a raça impõe, essa estima provada que se têm por esse admirável "caminheiro" e "buscador" incansável nunca nos fará esquecer a controvérsia estimulante sobre a sua origem e o seu estudo.

Não é invulgar que a questão sobre a narrativa e origem do cão de parar (em particular o perdigueiro português) nos convide a traçar, olhos na terra & auxílio do céu, as antigas artes de cetraria, altanaria ou montaria. E se, a partir dos tratados que nos chegaram incólumes, posteriormente, se passe à converseta sobre as virtudes do "governo do príncipe" e à reflexão sobre o poder, do seu exercício & avisamentos, o que torna a prosa cada vez mais instruída e de pregação proveitosa, não sugere nada de estranho nem tão-pouco pode ser impensável. Afinal ... isto anda tudo ligado.

Do sabujo (de trela, de correr, de buscar) usado na montaria - esse cão ibérico, que os "franceses reconstruiriam" no "seu epagneul" e os ingleses formaram como "setter" ou "cocker-spaniel" [Correia, Gazeta Aldeias, 1921], apresentado no "Livro da Montaria de D. João I" e que Diogo Fernandes Ferreira também refere [Arte de Caça da Altaneria, 1616] - ao não menos antigo alão - entusiasmo maior do Mestre de Avis e que pode ser a "origem dos dogges da Alemanha" [Correia, 1921] - passando pelo podengo - admirável cão de mostra usado na caça de altanaria, como nos diz Diogo Fernandes Ferreira, muito referenciado nas Ordenações de D. Afonso III de 1621 e de agrado particular do Padre Domingos Barroso - até aos bracos peninsulares - usados em Portugal com o nome de perdigueiro, formidáveis descendentes do excelente "chien d'oysel" de que fala Gaston Phébus, aliás Conde de Foix [Le Livre de Chasse, ms. 616 da BNF, 1387-89] e que são ainda conhecidos por "Navarros", por braco espanhol em França, ou por "pachons", perdigueiro tão usados por caçadores lusos [refª Correia, 1921 e Henrique Anachoreta, 1903], ou mesmo por "pigarços" - existe toda uma literatura e bibliografia verdadeiramente notável, de interesse e respeito»

[in, Almocreve das Petas]

domingo, 14 de janeiro de 2007

O CÃO DE PARAR - EDITAL


"um cão perdigueiro de dous narizes, o melhor da matilha" [Camilo]

Sendo presente que existe um conjunto estimado de documentos escritos sobre o cão de parar, de altíssima memória, ou trabalhos autorizados sobre o elogio do cão - "de aves, de falcão, de busca, de mostra, de parar" - e outros, bem valiosos, que a poeira dos arquivos condena ao esquecimento; sabendo que há um grémio de ilustres e respeitados amantes das "antigas artes de cetraria, altanaria ou montaria" e do perdigueiro português, em particular; não se desconhecendo que o debate, entre diligentes espíritos lusitanos, levanta inspiradas perplexidades, generosas polémicas e amenas narrativas, quase sempre de quantiosa erudição; vêm estes apontamentos dar testemunho da vivacidade sobre o estudo e a grandeza do debate sobre o "cão de parar", louvando e prestando homenagem fraternal ao Mestre A. C., cuja familiaridade e sensibilidade a esta narrativa nos assombra e encanta. A ele, pois, este espaço de conversação e de elogio do cão.

Declaramos, pois, que O Cão de Parar está aberto a todos os seus amantes, recenseando informações e memórias (bio)bibliográficas, registando curiosidades, elogios, testemunhos, notícias e apontamentos, para que destas inscrições & impressões se desenvolva o gosto e o mérito sobre este antiquíssimo saber, que põe em convívio a natureza, o homem, os deuses e os animais. Que a demanda seja proveitosa.

E para que conste, aos leitores, se fez este edital. Vale!