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terça-feira, 3 de janeiro de 2012

ROBERT LASCELLES - "A SERIES OF LETTERS ON ANGLING, SHOOTING, & COURSING"


ROBERT LASCELLES - "A series of letters on angling, shooting, & coursing", 1819, pp.166 a 170.

GRAVURA: George Stubbs (1724-1802), "THE SPANISH POINTER" Engraving by William Woollett, 18"x 22"; Published by J & J Boydell, Cheapside, and Laurie & Whittle, Fleet Street, London.

William Arkwright conhecia muito bem o trabalho de Robert Lascelles, citando-o por diversas vezes. Na verdade, na página 122 do "The Pointer and His Predecessors...." (1902), pode ler-se um interessante testemunho, a partir daqui: "... as we have Lascelles exaustive book on pointers …". Curiosamente, não descortinou a Regent's breed referida ao Regente Português … e, depois, todos os outros autores o repetiram.

Ora, numa situação do livro, Lascelles desejou saber se determinados cães eram parecidos com o cão da gravura de Wollett [trata-se de William Woollett (1735-1785). Não deixa de ser curioso que Arkwightver Plate VIII – não utiliza o nome correctamente, mas pode ser simples erro de impressão], «The Spanish Pointer», 1768, e um amigo de grande confiança, responde-lhe numa carta.

Refira-se que a gravura de W. Wollett em causa está AQUI:

- Arkwright, The Pointer and His Predecessors...., 1906, PLATE VIII, entre as págs 48 e 49;

Ou AQUI:

- Arkwright, The pointer and his predecessors; an illustrated history of the ..., 1ª ed., 1902, entre as págs. 80 e 81, e na legenda da PLATE XVI, pág. 211.

O leitor formará também a sua própria opinião.

Eis a tradução de um precioso excerto [p. 166 à p. 170] da Carta V [ver toda a carta AQUI, p. 162- 174]

[TRAD., pág. 166-170 - sublinhados nossos]

“… Por um lado, estes cães têm semelhanças com o raça Espanhola sendo capazes de caçar sem água, mas noutros aspectos, particularmente a voracidade do apetite, diferem largamente. Um amigo meu, um grande caçador e que possui um verdadeiro Don, teve a amabilidade de me dar uma descrição das suas características, as quais, para vossa satisfação vos vou transmitir; as suas notas, como irão perceber, são ditadas em parte pelo objecto da minha pergunta, a saber: que semelhanças é que nele vê com a célebre gravura de Wollett da mesma espécie de animal?

"Na cor está manchado, como viu em Danes, com esta diferença, onde as manchas eram pretas são agora semelhantes às dos tortoiseshell cat: no corpo são de tamanhos variados, mas na cabeça são muito pequenas e numerosas sobre uma superfície branca. O nariz não é preto, mas cor de carne; a pele é delicada e muito macia ao toque, mais parecendo lã muito fina do que pelo, e provavelmente resultado dum clima quente; no esterno não é tão fina, como se tivesse havido um cruzamento distante com o setter. A cabeça, sem dúvida, assemelha-se à da ideia que se faz da dum Spanish pointer, pesada como a dum blood-hound, mas particularmente ligeira e fina manifestando essa característica com toda a intensidade na raça especialmente nas orelhas. A altura é de 22 polegadas; do nariz até an final da cauda, que penso ter sido cortada, 3 pés e 3 polegadas e do mesmo ponto até ao início da cauda, 2 pés e 2 polegadas; assim perceberá que não é mais um cão pequeno do que outra coisa, sem a última parte (cauda); tem ossatura excelente e pés redondos, regulares e bem feitos. Nunca o apanhei com os pés doridos. Os ombros faltam-lhe um bocadinho, um pouco para cima demais e parece de patas da frente abertas de mais no galope, em consequência; mas observei-o a caçar durante muito tempo e suportar mais fadiga do que qualquer outro cão com que tenha caçado, nunca tendo sido privado do seu serviço depois do dressage um único dia. Frequentemente cavalgando rápido seis milhas nos seus terrenos e isto em Setembro durante vários dias; na verdade eu nunca fui à caça sem MADRID. O seu passo que é rápido raramente varia e ele está sempre a trabalhar com porte de cabeça soberbo; quando parado a apontar permanece perfeitamente elevado; o esterno aprumado e expandido e a cabeça um pouco mais alta do que quando a correr; nunca levanta o pé nem se aproxima o corpo do chão; desta atitude que é perfeitamente natural nunca tive necessidade de o corrigir. O seu nariz que certamente é superior ao de qualquer outro cão que eu tenha e ainda mais durante o tempo quente; mas onde acho que é mais útil é por não ter necessidade de água na caça, o que é capaz de fazer durante os dias mais tórridos. Nunca esteve nas charmecas (moors), mas preferindo os espaços largos e abertos e sendo um grande andador penso que dará conta do recado. Eu, um dia no último Verão abati-lhe quatro pares e meio de patos juvenis todos os quais ele tinha parado. Penso que manteve a paragem à primeira ave que encontrou, mas a violência do seu temperamento foi incapaz de permanecer parado fugindo à frente da pessoa com o cargo de o corrigir, mas, quando a caça lhe foi atirada não deu mais problemas; é ainda selvagem para estranhos e para os outros cães; e o mais voraz comilão impossível de satisfação; ocasionalmente alimentei-o só com batatas.

"É difícil o que responder a respeito desta descendência dependendo dos pontos de vista; contudo, dois dos meus com os quais cacei durante a última época, corresponderam completamente às minhas expectativas, como compreendo que teria sido o caso doutro que dei; estes são todos os que experimentei. Eles excedem o pai em tamanho mas assemelham-se muito na cor; tive um muito curioso, (que morreu), preto, azul e branco. Tenho um agora castanho, branco e preto e, outro, azul e preto. O meu irmão que o trouxe de Gibraltar, diz que a raça é considera rara e é chamada raça do Regente (Regent's breed) sugerindo que se refere(m) mais ao Português do que ao Espanhol.

Tal é a descrição do Spanish pointer no presente e não tenho dúvidas de que a raça pode ser consideravelmente melhorada cruzando-a habilmente com a nossa. Os dois maiores defeitos são um temperamento selvagem e um apetite enorme; o clima pode corrigir um, mas nada a não ser uma atenção judiciosa pode pôr fim à outra. Para este fim espero as batatas como num expediente mais impróprio; não são a comida natural para um cão, nem lhe fornecem nenhum nutriente e servem só para excitar a paixão que é aconselhável reprimir …”

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

SPANISH POINTER (pp.125-127) DE TAPLIN E GRAVURA DE SCOTT POR REINAGLE


SPANISH POINTER (pp.125-127) E GRAVURA DE SCOTT SEGUNDO ORIGINAL DE REINAGLE - [By a Veteran Sportsman] William Taplin, "The Sportsman's Cabinet", 1803, Vol 2.

A edição digitalizada pelo ARCHIVE.ORG do “The sportsman's cabinet, or A correct delineation of the canine race (1803)”, referida por nós AQUI, apresenta um capítulo só para o Spanish Pointer. Porém, curiosamente, faltam as páginas 126 e 127 (há um salto da p. 125 para a p. 128). Por sua vez, a gravura de Scott - que não apresenta pernas curtas como Taplin o descreve - segundo original de Philip Reinagle, Spanish Pointer, está no livro, contra a página 125, como seria de esperar.

O Spanish Pointer segundo original de P. Reinagle - gravura de J.Scott, publicada pela primeira vez no Sportsman Cabinet...de Taplin sai anos depois. Por vezes aparece a cores nalguns exemplares, como no Sportsman's Repository... de John Scott, virada também para a p. 114.

Há algumas referências bibliográficas à gravura Spanish Pointer segundo Reinagle, que se deve referir.

- The pointer and his predecessors; an illustrated history of the ... , 1ª ed., 1902, de William Arkwright: gravura AQUI (seg. 104 p.) e a legenda da PLATE XXI, pág. 213, AQUI ["From an engraving, undated, by J. Scott, after Philip Reinagle, R. A., who edhibited from 1773 to 1832. A spirited picture of a black-and white Spanish pointer, showing all characteristics of a perfect specimen of his race. In my own Possession" – p. 213]

- o padre Domingos Barroso (pp.143-144) n'O Perdigueiro Português, comenta um artigo de Rohan de Kermadec, que transcreve da revista “L’Eleveur” de 18 de Novembro de 1928 (pp.524-525). Kermadec publica a gravura de Scott segundo Reinagle, “Spanish Pointer” intitulando-a: "le vieux Burgos dans le Sportsman's Magazine", L'Éleveur, 18/11/1928, p. 624.

Regressemos a Taplin, The sportsman's cabinet (Volume v.2)ver/ler acima [clicar em Fullscreen para aumentar] ou via Slideshare – e apresente-se as páginas em falta, pp. 126-127.

[TRADUÇÃO - sublinhados nossos]

"O cão com esta denominação, ao princípio tantas vezes visto e tão bem lembrado pelos mais velhos desta geração, está tão completamente mudado pelas vários cruzamentos especulativos e experimentais com as raças do nosso próprio país (incluindo pointers, setters, fox-hounds e spaniels) que um cão desta raça em estado puro e não misturado é muito raramente encontrado. Todos os dados recolhidas acerca do seu aparecimento em Inglaterra indicam que desde o início apareceram em Inglaterra introduzidos de Espanha; e que tinham origem no país do qual o seu nome tinha derivado. O Spanish-Pointer na forma, aspecto, poder, parecendo estúpido e de corpo lento é um perfeito espécime da maior consiste uniformidade; bem adaptado em todas estas qualificações, arrogante, soporífero, de porte de dignidade majestática dum Espanhol pomposo, mas muito inadequado para a vida, espírito ágil e energia impaciente dum sportsman Inglês. Esta raça de cão, no seu estado natural e não melhorado é uma massa de inactividade, como é evidentemente perceptível pelo seu porte e forma; em todos os pontos das quais se exibe o completo reverso da velocidade e acção, objectos tão verdadeiramente necessários em todos os desportos do campo. O pointer desta descrição tem a cabeça pequena larga na testa, larga no nariz e extensa nas narinas apenas simplesmente cuidadas no aspecto, largos nos ombros, curtos nas pernas, de carcaça quase circular, quadrados nas traseiras, fortes nos rins e, de modo notável, nos quartos traseiros. Apesar disso, esta raça, tal como o English-pointer (por muitas ajudas colaterais melhorasse muito) aparecem em várias cores embora o castanho escuro fígado e branco seja a cor mais predominante. Estes cães, lentos como são e dados a cansarem-se rapidamente antes do dia de caça chegar a meio (com os que estão na força da vida e acostumados adequadamente à fadiga) são ainda verdadeiramente adequados para os caçadores que já são de idade avançada ou sofrem de doença que se sentem incapazes de ir por montes e vales como conseguiam em jovens.

Para os doentes e caçadores veteranos, que desejem abandonar os seus prazeres só quando a vida se for e ainda continuam com a espingarda, com entusiasmo e gozo no exercício ao ar livre, para perservarem a saúde no vale da sua existência, o Spanish-pointer parece, a todo o respeito, o melhor cálculo como companheiro de campo. Possuindo, por natureza, a maior capacidade olfatória e a mais maravilhosa precaução na aproximação da caça, somada à sua implícita obediência às palavras de comando e a sua incrível paciência, tornam-no, para os caçadores que acima descrevemos, verdadeiramente preferíveis a qualquer raça mais ligeira que possa ser trazida para o campo. Cães jovens e rápidos, que muito se atrapalham antes de fazerem ponto e, depois, impacientemente investem sobre as aves e provavelmente as perseguem no ar, são más escolhas para a caça de caçadores invalidados ou doentes. Pelo contrário, o Spanish-pointer possuiu uma tal propensão para parar, que não avança um centímetro até que a caça voe ou corra; a sua paciência é tão grande mesmo nessa posição, que em muitas ocasiões, como é sabido e muitas vezes apostado, onde cães assim como os descritos foram deixados a apontar parados a caça, enquanto os donos foram para casa (a grande distância), por uma espingarda e encontraram o cão ainda imóvel e parado a apontar.

Esta propriedade é tão verdadeiramente predominante nesta classe da espécie, que os cães jovens não necessitam de treino perturbante no que respeita à sua instrução quando comparados com os mais ligeiros obtidos por cruzamento, nos quais a susceptibilidade do faro foi, em grande grau, sacrificada a uma maior aquisição de velocidade; pelo que, não há a mais pequena dúvida, se o objectivo é cobrir muito maior quantidade de terreno provavelmente nem por isso proporcionalmente mais quantidade de caça será abatida. O pointer de que estamos agora a tratar, embora lento em excesso e geralmente admitido como seguro; interminável e minucioso na sua busca é raramente visto falhar a caça onde exista caça para ser encontrada; isto não é assim com a raça muito refinada que colateralmente cruzada e voltada a cruzar com o fox-hound, se torna excessivamente veloz e proporcionalmente com menos nariz e que não é incomum vê-la atropelar a caça. Um pointer de qualquer raça que seja não é considerado um critério de excelência no campo, a menos que possua o seguinte conjunto de qualidades; fazer a busca cruzada com regularidade para encontrar a caça rapidamente e permanecer parado quando a encontra, avançar quando requerido e retroceder quando a carregar. Quando um bando de aves é separado por tiros repetidos e, depois, é caçada cada ave uma a uma, o pointer que estamos a descrever tem oportunidade de mostrar a sua melhor habilidade, recuperar industriosamente estas aves espalhadas; a maior parte delas (se o cão for acompanhado dum bom atirador) são geralmente apanhadas de certeza. Para cobrar as feridas de asa e abatidas, a paciência e perseverança deste cão é peculiarmente adaptada; e, para a caça de tiro de eleição, de excelência, são dados como de preferir a qualquer outro. Acerca do assunto do dressage já tanto foi dito sobre o título Pointer, na primeira parte do trabalho, assim como em todas as formas de caça com ‘Setting-dogs’ e ‘Springin-Spaniel’, que alargar mais o assunto seria ir além do que se é obrigado
"

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

CITAÇÃO TRUNCADA QUE ARKWRIGHT FAZ SOBRE O "NAUARRO" DE ESPINAR


Citação truncada que Arkwright faz sobre o "nauarro" de Espinar - "The pointer...", pag. 19, 2ª ed,; pag. 15, 1ª ed.

No Libro XV de Barahona de Soto [Diálogos de la montería: manuscrito inédito de La Real Academia de la Historia, 1890] que começa com diálogo "calidades que ha de tener el que quisere ser cazador", chega-se na pág. 468 ao diálogo "que es tratar de las perros de caza maior e caza menor" e, finalmente, ao início da pág. 471 [ver documento acima, via Slideshare], o que é só por si um Tratado sobre a selecção, criação e ensino do cão de parar. É, de facto, este texto publicado anónimo no último quartel do séc. XVI e dado à luz pela Sociedad de Bibliófilos Españoles, exemplar, curiosamente actual, absolutamente admirável! [clicar no documento, acima, para ler; clicar em fullscreen para aumentar]

"Mon - En perros de mediano cuerpo, porque los grandes son flojos, y los muy pequeños débiles y se parecen dificilmente en el campo sino son blancos que es el color útil: por esta causa suelen ser los agozcados de más instinto que los navarros, pero de más resabios y peor condición aunque para más trabajo, aunque los navarros son de más viento y mejor acondicionados; y se echaren perro navarro á perra agozcada, suelen salir maravillosa mezcla de perros porque suelen tomar lo bueno de uno et de otro; mas no deben echar su perro á perra que tenga raza mala por alguna vía, ni hermano á hermana, ó madre a hijo" [pp. 468-469 – ver doc. acima]

Eis a citação e tradução que Arkright faz de Barahona de Soto [Arkright, "The Pointer and His Predecessors, 1906]:

"... Sil: In what kind of dogs will be found those points that you say they must have? [p.37]

Mon: In dogs of medium size, for the large ones are lazy and the small ones weak; and they are difficult to see in the fields unless tjey are white, which is the useful colour; moreover, the dogs of Gothic blood (agoscados) have more genius (instinto) than those of Navarra (navarros), but they have more vices and are more ill-conditioned, thougt they do more work, but the navarros have better noses and better tempers, If the navarro dog be puted to an agozcada bitch, a wonderfully good breed of dogs is the result, for they have the good qualities of both parents..." [p.38]

Diga-se que os navarros de Barahona de Soto são os mesmos cães que são relatados por Selincourt, Biffardière, Magné de Marolles e Desgraviers. No final do séc. XVII e no séc. XVIII em França, referem como bracos.

Veremos abaixo que os "navarros" de que fala Barahona de Soto, pág. 469, (cruzados ou não com os perros agozcados) não são os mesmos cães que Alonso Martinez de Espinar chama de "navarros ou franceses" no seu livro Arte de Ballesteria y Monteria, folha 57 verso e folha 58 [fazer a pesquisa com Nauarros e não com Navarros], da qual Arkkwright, "The Pointer and His Predecessors", 1906, faz a citação que os descreve truncada, pág. 19.

Vamos usar uma edição de 1945 do livro de Espinar por ter melhor letra mas paginação diferente [a paginação passa de folha 57 verso e folha 58, para págs. 100 e 101].

Arte de Ballestería y Montería: Escrita con methodo para escusar ... (p.100):

"Hay otros que llaman sabuesos, y de estas dos castas, unos de menos agilidad que otros, porque son mucho más pesados; a éstos llamamos navarros o franceses, porque la casta es de Francia, como la de los frisones: tienen la cabeza grande, el hocico romo, las orejas muy largas y anchas, la boca rasgada, los dientes muy recios y agudos, las piernas cortas, el cuerpo ancho, y todos ellos muy pesados; son de su naturaleza mal sufridos y vocingleros, aunque de mucho viento y rastro; no los usamos en España porque no son a propósito para nuestro modo de caza; en Francia se mata la caza a fuerza, y son para ellos estos perros muy a propósito; aquí, que se mata con todo secreto, es necesario sean los sabuesos muy sufridos, y que aunque vean las res junto a sí, no ladren ni se muevan sin licencia de su dueño; los sabuesos de España son más ligeros que los que arriba dijimos, y para que anden más secretos en el monte, les cortamos las orejas y la cola, porque en los tiempos lluviosos no hagan ruido con ellas cuando se sacuden el agua, que los perros que las tienen se oye el ruido que hacen de muy lejos; son estos perros muy porfiados en el seguimiento de la caza, y para muchos más trabajo; tienen lindo viento y son muy grandes mordedores; y como la tierra de España es mucho más agria que la de Francia, si no fueran tan ligeros, no pudiéramos cazar con ellos.

Hay otros perros, que llamamos de muestra, que buscan y paran las perdices; son muy doblados y de mucha fortaleza y agilidad. Hay otros, que llamamos de agua: entran en ella y sacan las aves, que les matan; son muy fuertes, al modo de los sabuesos navarros; tienen el pelo crespo, largo y vedejudo, y las orejas muy anchas
" [pp. 100-102]

Veja-se o texto de Arkkwright, "The Pointer and His Predecessors…" [p. 19-20]

"… Even the word 'navarro', applied in modern times only to a partridge-dog of Navarre, was, first of all the title of a breed of hound. Espinar says in his book (p. 58): - 'There are others [varieties of the dog] that are called hounds, and of them there are two kinds; some of less activity than others, because they are much heavier. These are called Navarrese or French because de breed is from France, as it is of the Frisons; they have the head large, the muzzle blunt, the ears very long and broad, and are very heavy everiwhere; they are by nature headstrong, and easily tired, althoug of excellent nose and scenting powers'. He goes on to contrast them with the Spanish hounds, which were much lighter and more active, were very persistent and untiring at their work, and had fair noses. Thus there were two types of hound in Spain, from which apparently sprang two types of pointing-dog. The one the heavy, 'barrel-shaped' Navarrese partridge-dog, painted by Velazquez (Plate IV.), and by Espinosa; the other, as described by Espinar, 'so swift that they seem to flyover the ground" [está na pág. 241 do livro de Espinar], and, as in Diálogos de la Montaria, 'very fast so that they cover much ground' [pág. 467) It was evidently the navarro that first found his way to England; and, according to the old accounts, his powers, both for good and evil, were not impaired by the journey...»

Em Arkwright, The pointer..., há falhas ligeiras de tradução: los dientes muy recios, y agudos, las piernas cortas, el cuerpo ancho, etc., do texto de Espinar e, muito claramente, os Navarros ou Franceses não são perros de muestra. Poder-lhe-ão lembrar [a Arkwright] o old spanish pointer, do quadro de Georges Stubbs, «Spanish Pointer», 1750 [que aqui postámos: UM POINTER NO SECÚLO XVII NUM ESTUDO DE PIETER BOEL (EXCURSO) – PARTE II] e que autores com Sydenhem, Daniels, Taplin, T. B. Jonson ... Richardson, irão "inventando" a seguir a B. Symonds, A treatise on Field Diversios, 1776, pág.14, [ver o nosso post AQUI: A TREATISE ON FIELD DIVERSIONS - B. SYMONDS] e ao seu cão "without any Regularity in Beating—under no Command but a Natural Pointer" que o mesmo Symonds diz ter visto uns "quarenta anos antes" e, que depois, foi sendo aceite, "modificado" por Youatt, Stonehenge [que o editou na tal velha figura... de L. Wells - ver o nosso post:LE CHIEN ROTHSCHILD OU EM BUSCA DO “OLD PORTUGUESE POINTER” - PARTE I e PARTE II]

Foi dito acima, muito claramente, que Arkwright passa ao lado do texto do período que vem logo a seguir "; no los usamos en España porque no son a propósito para nuestro modo de caza; en Francia se mata la caza a fuerza, y son para ellos estos perros muy a propósito; aquí, que se mata con todo secreto, es necesario sean los sabuesos muy sufridos, y que aunque vean las res junto a sí, no ladren ni se muevan sin licencia de su dueño;” e do parágrafo seguinte que começa: "... Ay otros perros, que llamamos de muestra, que buscan,y páran las perdizes; son muy doblados, y de mucha fortaleza y agilidad. ...".

A causa disso poderá ter sido, além da memória do old spanish pointer (com toda a probabilidade), conhecimentos insuficientes do espanhol por parte de Arkwright, talvez ainda somado a má assessoria de que então dispunha.

Por conseguinte os "navarros" do texto acima de Barahona de Soto serão simplesmente os perros, que llamamos de muestra no texto de Espinar, também acima transcrito, e, como foi dito, certamente, são os mesmos cães que referem Selincourt, Biffardière, Magné de Marolles e Desgraviers desde o final do séc. XVII e durante o sé. XVIII em França como bracos. E, note-se também, que alguns vão de Espanha para França. Também terão ido para Inglaterra? Porque não?.

NOTA: O texto da 1ª ed. de Espinar, como foi referido já, pode encontrar-se AQUI.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

UM POINTER NO SÉCULO XVII NUM ESTUDO DE PIETER BOEL – PARTE I


Pieter Boel [1622–1674 - Boel nasceu em Antuerpis e, provavelmente, foi para Itália em 1660 onde terá permanecido oito anos; terá sido Mestre de David Coninck. Regressou para França e, depois de 1668, foi Pintor Oficial [Peintre Ordinaire] de Louis XIV. Em França fez desenhos para a fábrica de tapeçarias de Gobelins], "Dix-sept études de différents chiens", 3º quartel do séc.XVII - Será mesmo que a primeira representação iconográfica do Pointer Inglês foi realizado na corte de Louis XIV?

- Presentation of the oldest or first iconographic representation of the English Pointer or Pointer in a Pieter Boel Study of a Louvre Museum collection

- La première representation iconographic du pointer anglais - c'est un Étude de Pieter Boel procédent du Cabinet du roi et gardée dans une collection du Musée du Louvre?

O Estudo de Pieter Boel, acima referido, fez parte do espólio do Cabinet du Roy [e o Estudo de Boel terá permanecido no segredo rigoroso do rei cuja paixão eram os épagneul? - é improvável, os segredos dos Reis são sempre devassados, por mais medidas de rigoroso controlo que sejam tomadas] conforme notícia da BnF - No registo Napoleon da Bnf vem nomeado como "Des chiens. Etude peinte à l'huile", e nos registos de notícias actuais tem o título de “Dix-sept études de différents chiens”, sendo datado do 3º quartel do séc.XVII. O Cão de Parar procurou mais referências – que o assunto era de respeito - mas até agora não conseguiu encontrar mais menções e estudos sobre este trabalho de Boel.

Continuemos: O cão na linha inferior do quadro, que está a meio em primeiro plano, tem convergência dos eixos longitudinais superiores do crânio e da face igualzinha à de um pointer [além da cabeça, a cauda também é típica do standard actual do pointer].

Interpretação ou LEITURA IMPRESSIONISTA - uma heurística crítica e aberta:

Será que é o pointer mais antigo da iconografia respectiva (1650-1575)? Como é que até agora ninguém tenha dado com este prato de resistência - a substância da forma de naso rivolto, 'dished' face (focinho em prato), focinho arrebitado? Em linguagem que passa por mais precisa e abstractamente rigorosa (além de pretender revelar iniciação avançada na matéria): um cão de eixos longitudinais superiores do crânio e da face formando um ângulo convergente (traço comum apenas dos estalões do Pointer Inglês e do Perdigueiro Português entre os estalões de todas as raças de cães deparar?).

Não terá chegado a Inglaterra no século XVII, mas chegou ou terá nascido e sempre permanecido nos canis de Louis XIV - será uma variação (Darwin) dos mesmos bracos que mais tarde Desportes e Oudry pintaram dos canis do rei de França e Navarra? ou foi visto por Pieter Boel na sua estadia recente em Itália, um cão simo potiusquam adunco rostro, isto é de focinho arrebitado [in, De Canibus et venatione de Biondo, 1544, título: «De Cane Odoro», pág. de verso da numerada VII - citado por Arkwright, The pointer..., 1906, pág. 51], e trazido para os canis do Rei Sol [cioso no tratamento, cuidando ele próprio do dressage e preferindo os seus épagneuls de cauda cortada com tufo em borla na extremidade, marca que nos revela Jacques Bugnion, Les chasses médiévales, 2005, pág. 120, 12] e que Arkwright pode ter confundido com pointers [PLATE V de Desportes, PLATE VI de Oudry, Arkwright The Pointer and His Predecessors...., 1906 - sobre a caça "au chien d' arrêt" dos Bourbon e, particularmente, de Louis XIV, ver: Dunoyer de Noirmont, Histoire de la chasse en France depuis les temps les plus reculés jusqu'á la révolution (Volume t.1), Histoire de la chasse en France... (Volume t.2), Histoire de la chasse en France... (Volume t.3), 1868 - sabendo-se, contudo, que Louis XIV não preferia os braques ou bracos, de que este cão se supõe ser uma variação (Darwin) como já foi dito acima, com tal forma de focinho?]

Na realidade, este cão do Estudo de Pieter Boel que estamos a referir (este Pointer Inglês, que o seja) até poderia ter chegado a Inglaterra muito antes (caso já existisse, claro, embora para alguns, invocando razões, entre as quais a data habitualmente atribuída por muitos autores do aparecimento do Pointer cedo ou tarde no seculo XVIII, possa ser considerado não verosímel - havendo poucos autores que fazem remontar essa data a meio do séc. XVII sem que digam bem porquê), porque eram habituais grandes presentes entre os reis e sabe-se que, apenas menos 50 anos antes do quadro ter sido pintado por Boel, o rei Louis XIII, rei de França e de Navarra, enviou de presente a Jaime I rei de Inglaterra, escreveu Chamberlain a Carleton (1624): 'A French baron, a good falconner, has brought him [the King] 16 casts of Hawks from the French King, wiht horses and settings dogs; he made a splendid entry with his train by torch-light, and will stay till he has instructed some of our people in his kind of falconry, though its costs his Magesty 25£ or 30£ a day' (State papers of James I, Domestic Series, vol. clviii, p. 149, Arkwright, The pointer..., pág. 14) citado também por Dunoyer de Noirmont, Histoire de la chasse en France...(Volume t.2, p. 361, em nota no fim de página).

Agora (espanto!?), o pointer do Estudo Piente Boel pode não ser o mais antigo... os egiptólogos fornecem a representação do pointer mais para nossa reflexão, e o entusiasmo deverá ser moderado, pois há problemas de método a começar com o decalque das representações que não foi repetido nos modelos com o rigor das tecnologias de investigação actualmente disponíveis (sê-lo-à alguma vez?).

O egiptólogo Sir John Gardner Wilkinson publicou em várias obras [entre elas, Manners and Customs of the Ancient Egyptians, including their Private Life, Government, Laws, Arts, Manufactures, Agri-culture, Religion, and Early History ; derived from a comparison of the paintings, sculpture, and monuments still existing, with the accounts of ancient authors. Illustrated by Drawings of those subjects. 5 vols., 1847] a figura de dois cães (que foram publicados em muitos livros) bastante semelhantes a pointers actuais, atrelados a um caçador que transporta uma gazela às costas; são portanto cães usados para correr a caça

[como se pode ver aqui - A Popular Account of the Ancient Egyptians, 1854, pág. 219; W. C. L. Martin, History of the dog, the origin, physical and moral characteristics and principal varieties, 1845, que cita Wilkinson e publica esta figura na pág. 50 do seu livro. No cão em primeiro plano aparece com stop vísível embora não muito pronunciado, as orelhas de inserção alta pendem logo a seguir à linha de inserção craniana, são pequenas e triangulares, podendo dar a ideia de terem sido cortadas; a cauda é idêntica à de um pointer apresentando-se na linha horizontal e um pouco ligeiramente para cima e tem, até, a pequena curvatura a meio característica da sínfise ou junção de duas vértebras, característica patológica que se transmite, mas que embeleza a cauda de alguns pointers;

F. Callaud, Recherche sur les artes et metiers, les usages de la vie civile et domestiqne des anciens peuples de l'Egypte, de la Nobie et de l'Ethiopie ; suvies de details sur les mreurs et coutnmes des peuples modemes des memes contrées,2 vols,. 1837; Pierre Mégnin, Les Chiens et ses races, Tome Premier, Historie du chien depuis les temps plus reculés, l'origine des races et leur classification, 2ª ed., Aux Bureaux de l'Éleveur, Vincennes, 1897 - entre as pp. 40 a 55 trata dos cães da arqueologia Egípcia e, entre várias figuras que apresenta, mostra um caçador com uma gazela às costas, uma lebre pendurada na mão esquerda e um cão atrelado quase sem stop, de cauda pendente um pouco arqueada para cima na extremidade e de orelhas pequenas viradas para baixo logo a seguir à sua inserção lembrando, agora, mais um galgo, pág. 49, fig 12; W. Enos Phillips, The True Pointer and his Ancient Heritage, 1970, pág, XIX, referindo-se ao livro de L. Martin, critica Arkwright "He could hardly have carefully read Martin's work and have overlooked the picture of pointers wich Martin took from Wilkinson's Manners and Customs of Egypt."]

Como todos sabem o tema dos cruzamentos entre tipos e raças de cães pelos mais diversos motivos aparece e permanece na literatura sobre a matéria desde os tempos mais antigos até hoje de modo a que se podem vir a ser estabelecidas tradições histórico-culturais de tipo de "cruzas", a serem encontradas e estabelecidas.

Vou introduzir a questão com uma das abordagens mais conhecida a Barahona de Soto, Diálogos de la montería: manuscrito inédito de La Real Academia de la Historia, 1890, tendo o livro em forma de diálogo entre três personagens (muito provavelmente terminado em 1587 segundo José Lara Garrilho), na pág.472, "...SIL, Y se alguna vez no halllásemos sabuesos tan legítimos, de qué mezcla de perros se podría hacer que fuese buena?
MON. De sabueso legítimo y de perra de muestra, muy castizo cada qual en sú género, pequeños de cuerpo y descarnados y de largo viento. ...
"

O Cão de Parar, procura ainda um artigo saído na revista Ilustração Venatória do ano de 1880, que encravou sucessivas vezes nos Bibliotecários solícitos da BnE, que faz o resumo das práticas tradicionais, nesses séculos, de cruzamento de cães por volta do século XVI e XVII na Península Ibérica. Estas questões despertam o maior interesse porque num blog um num grupo de discussão do site www.molosserdogs, foi encontrado um email ou uma posta, que agora não se conseguiu encontrar, assinada Vanvan, Molosser enthusiast México, DF., iherpla@yahoo.com.mx de 21 de Setembro de 2004 (notamos algumas imprecisões no texto do email):

"Mixes of breeds for the hunting in Spain in 1880* - La Illustración Venatoria.

The hunters of Spain, trying to duplicate the breeding of the english, in a magazine named "La ilustración Venatoria" (The hunting illustration), recommended the following mixes for hunting in order to improve the local breeds:

"An spanish hound bitch mixed with a Jato -hunting dog with not specific breed-, produce a game finder dog, use to find the big game in the forests.
The sabueso (Spanish hound) mixed with the galgo (spanish grayhound) and its product crossed with the spanish pointer (Pachón Navarro), produce a bloodhound big game dog, and every fith generation, the blood of the first product mentioned above, most be crossed with this dog to ad nobility to this particular breed.

The sabueso crossed with the galgo and its product with the alano, provides a dog to hunt stalking the game.

An alano bitch crossed with the galgo produce running dogs to chase the deer.

A mastina bitch crossed with the sabueso, and its product again crossed with mastin, produce the running dog for the hog hunting.

A sabueso bitch crossed with a spanish water dog produce a long hair sabueso.

The spanish pointer crossed with the spanish water dog produce the Spaniel.

The product of the galgo with the alano is not a good scent hound, but they do not need to chase by the scent, since they are used as sight hounds, or following the sabuesos on the chase


No Cão de Parar de 7 de Julho foi editado o raríssimo livro (apenas 300 ex.) G. de Marolles, "Chiens de Faucon Chiens d'Oysel Chiens d'Arrêt, 1922, que na pág. 35 e em todo o seu livro, se mostra muito crítico e contra estas práticas de tradição histórico-culturais de tipo de "cruzas" na Espanha dos séc.XVI e XVII - uma das suas teses centrais é a da incompatibilidade entre o chien courant e o chien d'arrêt, da qual foi feita a revisão crítica curta, talvez abrupta para não surgir excitação na mão (ou, então, como disse e muito bem Chico Buarque na canção, mas não truculenta), por respeito ao adversário, na posta.

Também aqui, no Cão da Parar, a 2 de Junho de 2010, LIMIER – ENTRADAS NO LIVRO DE JACQUES BUGNION transcrevemos do blog Pointer Valdeorrass de 18 de mayo de 2010, por altura da morte do autor de Les chasses médiévales,2006, a posta JACQUES BUIGNION "DE LA LEMBAZ" a «Carta de Georges Bugnion a Pino de La Torre» , 12 abril de 1993, sobre selecção de reprodutores que gerem cães campeões nas provas de Trabalho (de Primavera) portanto sobre cruzamentos na mesmo raça, e para a qual remetemos.

Somos livres de pensar e de escorregar na ideia de que o Estudo de Pieter Boel poderá ter sido feito acompanhado de folhas onde sejam explicados os cruzamentos entre os cães para funções definidas, incluindo, se assim o entendermos, também o pointer a meio da linha deitado e em primeiro plano - é muito importante reparar, com toda a atenção, para onde é que os cães do Estudo de Pieter Boel estão a olhar e para onde é que o seu corpo está virado, bem como para que sítio apontam. Tal escrito pode ter-se extraviado. Ambos podem ter sido feitos em duplicado, claro, e se tivesse sido assim, seria de pôr a hipótese de que talvez tivesse acontecido algum acto de espionagem e não um simples furto - isso não pode, não pode repito, ter acontecido!...

Além do pointer há dois cães que queria abordar: O cão grande à sua direita preto e branco, que me parece parecido com a gravura do Spanish Poinder de Scott, segundo Reinagle, publicado por Taplin, The sportsman's cabinet (Volume v.2), entre as págs 124 e 125; John Scott, John Lawrence, The sportsman's repository, 1845, entre as págs. 114 e 115; Arkwright, The pointer and his predecessors, 1º ed. 1902, fig. entre as págs. 104 e 195


[Gravura colorida de Scott, segundo Reinagle, «Spanish Pointer» colorida à mão - ver a codorniz no canto inferior esquerdo da gravura]

O segundo, é o cão grande que está logo atrás deste de cor tom de acastanhado que, se tiverem muito boa vontade e considerarem a ligeira elevação na linha superior do pescoço que se nota bem, pode ser uma coleira muito larga, este cão poderá ser um corpulento limier [muitos anos depois - da ordem dos 150 anos - ainda apareciam representações iconográficas semelhantes como no Traité général îles chasses, 1927]

[Collaborateurs du Traité général îles chasses. Dédié à M. le Marquis de Lauriston, Paris, 1827, Éditeur Rousselon, Planche Limier]


Utilizavam-se cães de aspecto e tipos morfológicos muito diferentes consoante a espécie do animal que era caçado e, mesmo, para a mesma espécie que era caçada no processo de caça dito de veneria (Normanda) desde que fossem aptos para desempenhar as funções de limier (habitualmente um cão lento) e a dressage respectiva [O Cão de Parar publicou a 14 de Junho de 2010, uma posta "O LIMIER", em que os dois cães espantosamente tinham morfologia de Pointer, "dished face"ou "naso rivolto", mas a cauda era arqueada, côncava para cima, e os orelhas compridas embora a implantação não fosse baixa - a forma do pointer do Etude de Boel, permanecia no canil de Versailles]


[Jean-Baptiste OUDRY, "Le Roi tenant le limier", 1728.(Louis XV)]

O cãozinho do canto inferior direito é uma beleza - não me vou adiantar, mas não deixo de pensar que por reflexo condicionado automático alguns leitores imaginem que seja o antepassado do Perdigueiro Português, pese embora o ainda recente, mas completamente assumido pelos comandados, comando do dr. António Cabral de que já devesse ser amarelo com algum branco, com estas cores da pelagem a caírem bem combinadas e com o amarelo a predominar... não é que eu geral seja contra os reflexos condicionados, mas aqui dou um toque de alerta...

Este cãozinho parece estar a olhar muito tranquilo para o pintor, mas está muito seguro, que pode parecer que está quase "para lhe cair com os olhos em cima”, “para lhe pôr os olhos em cima" - está (como dizem os Ingleses) "making eyes", para exercer o "pouvoir de l'oeil" - a Boel que está a desenhar ou a pintar o seu Étude, poder que, actualmente, em trabalho reservado ao Border Collie... com o qual este cãozinho não terá que ter nada a ver, claro - estamos a falar doutro poder totalmente diferente na formação do pointer, o que está em causa é o poder de paragem.

Os dois cães mais pequenos no canto do quadro, brancos com orelhas, cabeças e pequenas manchas no corpo, por vezes quase pontuais, acastanhadas serão bracos de corpulência média ou média pequena, um(a) virado(a) e a olhar sentada e atenta para os cães de correr, outro(a) para os cães de parar, este(a) deitado(a) a galá-los disfarçadamente e a olhar o pointer pelo canto do olho e para o cão parecido com o Spanih pointer de Scott, segundo Reinagle... é o que posso pensar tendo em conta o Mixes of breeds for the hunting in Spain ..., a citação acima de Barahona de Soto, de Sélincourt sobre as cães de arcabuz e dos autores Franceses do século XVIII de pequenos manuais de ensino do chien d'arrêt e Biffardière, Antoine Gaffet (de la Briffardière) et Chappeville, Nouveau traitée de Vénerie, pág. 138, 1750 e Desgraviers, Essai de vénerie ou L'art du valet de limier, [1784], 1810, pág 136, Magné de Marolles, La chasse au fusil, 1788, vol 2, pág 180, ainda, "bracco" o cão preferido de Olina para a caça com rede (chasse à la tirasse), "caccia col bracco a rete", "bracco da rete", Olina, Uccelliera, overo discorso della natura e propieta di diversi uccelli e in..., 1622. Mas não só este autores, também Buffon, do lado da ciência, Georges Louis Leclerc de Buffon, Histoire naturelle, générale et particulière, vol 2, pág. 548, aborda do mesmo modo que os autores acima citados: "Trois espèces sont propres à cette chasse, le braque, l'épagneul, et celui que les chasseurs appellent griffon : c'est un chien métis à poil long et un peu frisé, qui tient du barbet et de l'épagneul. Le braque est plus brillant et plus léger dans sa quête ; niais la plupart de ces chiens craignent l'eau et les ronces; au lieu que l'épagneul et le griffon..."

NO CAMINHO DA GENÉTICA MOLECULAR - um ícone da Genética Molecular Canina


Na verdade, estamos hoje virados para esta área no que respeita a evolução, transformação, datações, cruzamentos, migrações, etc., e, nesse sentido, para a "desocultação" da mensagem cifrada expressa no Étude de Pieter Boel, "Dix-sept études de différents chiens", do 3º quartel do séc. XVII, que pelo seu conteúdo não só podia ser adoptada como símbolo para a Genética Molecular do cão, como também promete trazer alterações muito significativas nas concepções actuais do origem do Pointer nos séc. XVII e XVIII - num espaço de tempo muito curto, mas enfim … nas dificuldades, na crise epistemológica, digamos, é claro ... todos nos viramos para a Genética Molecular.

Por dever de gentileza, que se pode tornar uma maçada por incentivo de bem querer informar, deixo aqui referencias bibliográficas, três da quais (a 1º, 3ª e 4ª) se encontram nas duas últimas monografias do Perdigueiro Português:

W. Arkwright, The pointer and his predecessors, 1º ed. 1902; um cap. do livro de James Watson, "The dog book", 1906; W. Enos Phillips, "The True Pointer and his Ancient Heritage", 1970; Felice Steffenino, "Il Pointer Moderno", 1987 - o e este e último livro revêem com bastante minúcia os argumentos em favor do cão português na origem do Pointer.

Dr. Louis Merle, "De l'origine du Pointer et de la fixation de son type. Essai historique et critique" e Robert Martineau, "Contribuition à l'éclaircissement d'une vaisemblance", in: FIELD-TRIALS, Bulletin de l' Amicale des Amateurs de Field-Trials, Nº 6 - Juin, 1966 [e que saíram em separata] - usarão, eventualmente, standard (que é um normativo) e a noção de tipo, levando, sem o quererem, por vezes a alguma confusão. Pode fazer-se uma ideia da noção de standard e de tipo aqui, SOCIETE CENTRALE CANINE POUR L'AMÉLIORATION DES RACES DE CHIENS EN ..., CHAPITRE VII NOTIONS DE STANDARD ET DE TYPE RAYMOND TRIQUET... e rever rapidamente a noção de tipo em Bugnion, "Les chasses médiévales", 2006, "La typologie", p. 137: "Selon le P. Dechambre, le type d'un chien se conçoit comme un modèle théorique indépendant de toute idée de filiation. A l'opposé le concept d'espèce implique la transmission des caractères distinctifs par les mecanismes de l'hérédité et de selection". Portanto, estes dois conceitos confundem-se e ultrapassam as próprias barreiras quando surgem problemas com a necessidade de retempera duma raça, de ascendência, descendência e origem da raça, surgimento de doenças que provocam alterações morfológicas, etc.

Refira-se que P. Dechambre - provém duma eminente linha de professores de Zootechnie, que começou em Baron e que durou até aos anos 30 do séc. passado, prolongando-se até Guiseppe Solaro, "Il Pointer (Le Pointer) Disegno di descrizione dei caratters etnici" (text in French and Italian), 1953 - desenvolveu muito o estudo da morfologia animal e criou a noção de type morfológico, o que tem sido até hoje frutífero, muitos anos antes de Genética Mendeliana se ter implantado em França, muito lentamente, como se pode ver em Bernard Marty, "L'hérédité pour les zootechniciens français de la second moité du XIXe siècle", Bull. Hist. Épistém. Sci. Vie, 2006, v. 13, (1), 57-87.

O Cão de Parar, navegando na sempre esquecida interdisciplinaridade, recorrentemente consulta Raymond Coppinger & Lorna Coppinger, "Dogs: A New Understanding of Canine Origin, Behavior and Evolution", 2001 (2002), etc, e não pode deixar de lembrar um dos melhores exemplos - ARCHIVO IBEROAMERICANO DE CETRERÍA, mandado traduzir por Afonso X para o seu Livro de la Montería, precisamente no que diz respeito aos cães, como podem saber, conhecido simplesmente por Maomin, agora Muhammad ibn Abd Allah ibn 'Umar al-Bayzar, Libro de los animales que cazan.

Pelo propósito dos trabalhos seleccionámos o mesmo trabalho em que está envolvida Ana Elizabete Pires em duas línguas... a coisa é grave...

Sabendo da importância dos trabalho dos especialistas desta área com os cães portugueses é fácil fazer a lista a partir das bibliografias da autora escolhida, mas bastará pesquisar no Goglemolecular genetics”, “dog” ou “dogs” (com o duplo sentido desta palavra que por vezes provoca zebra) e os especialistas portugueses aparecem lá - não se deve pensar que foi a Foto Gallery do seu site que tornou a escolha inevitável - digo, a interpelação inevitável.

Assim:

Molecular structure, Sloughi, Aidi, Portuguese dogs The same breeds of dogs were characterized using 16 microsatellites and 225 Amplified ... Perdigueiro Português (Portuguese Pointer) © Lilian Zuurendonk; Structure moleculaire Sloughi, Aidi, chiens portugais C'est la première fois que des microsatellites et des marqueurs AFLP sont utilisés.... Perdigueiro Português (Pointer portuguais) © Lilian Zuurendonk; Ana Elisabete Pires Home - não esquecer a Photo Gallery (e o Cão de Parar a dar-lhe! mas não deixo oportunidade ao teclado de apagar!). Poder-se-ia dizer mais... e também sobre o "Perro" de Goya único quadro solitário numa das parede enquanto nas outras paredes da casa do surdo há vários [Versión extendida: toda la reconstrucción en 3D de la Quinta del Sordo] - o preferido, no que respeita à representação artística dum cão de parar como caçador, tal como Goya que preferia caçar como disse nas carta ao seu amigo e, para que se saiba, um atirador de alto gabarito, com grande gosto por vinho e degustações, fosse o que fosse de caçadores, bem como conhecia bem o teorema de Bernoulli e o Efeito de Venturi e, por isso, foi não só capaz de muito bem compreender o tiro no interior dos canos da caçadeira, como ser o pintor genial que toda a vida manteve o tique de não apagar um traço ou uma pincelada, sendo o primeiro a pintar o vento, por sinal, num quadro [La nevada, 1786] com tema de caça humorístico até matar e compreensível só para cúmplices versados e combinados na jogada - o que se devem ter rido e comentado no almoço ou no jantar antes de ser entregue a encomenda.

[ver AQUI - Museu Nacional do Prado]

[em continuação]

domingo, 27 de junho de 2010

LA VÉNERIE – JACQUES DU FOUILLOUX


Jaques Du Fouilloux - "La Vénerie, précédée de quelques notes biographiques et d'une notice bibliographique", Angers, Charles Lebossé, 1844" (digitalizado, clicar)

La Vénerie [Poitiers, Marnefz, & Bouchetz Freres, 1561, 1ª ed. - ver AQUI digitalizado a edição de 1601] é uma das mais estimadas e valiosas peças bibliográficas, lexicográficas e historiográficas sobre a (arte) caça – revelando, descrevendo e decifrando a sua complexa organização social e logística, rituais, etc. –, é um tratado clássico notável, apreciado e de grande interesse (e raridade) para a história venatória e naturalista, pelo que foi reimpresso ao longo dos tempos inúmeras de vezes.

É aceite que durante um século La Vénerie domina (em França – cf. Remigereau) e enriquece, a vários respeitos (ex. lexicografia francesa da renascença), o debate sobre o tema, até ao aparecimento da obra de Robert de Salnove, La Venerie Royale (1655), que aliás tinha intenção de renovar a obra primorosa de Du Fouilloux [não é indiferente (já então) as alterações surgidas no sistema económico e social medieval e que, como é obvio, tiveram efeitos na prática e arte da caça. Não por acaso a Cetraria cai, a partir daí, em desuso].

Tal a valia e a curiosidade dos textos de Du Fouilloux que estes foram, de imediato, traduzidos e incorporados nos mais estimados manuais de caça de diferentes países, pelo que a ele lhe devem a inspiração e o apreço. Em Inglaterra, p. ex., é referido e citado extensamente [mesmo capítulos completos são totalmente transcritos] ou traduzido: temos o caso de George Turberville [Book of Hunting (i. é, The Book of Faulconrie or Hawking and the Noble Art of Venerie), 1575; reimp. em Oxford, 1902], Thomas Cockaine [A Short Treatise of Hunting, 1591; outra ed. London, 1932], Richard Surflet (1600), Nicholas Cox [The Gentleman Recreation, 1674]. Foi também La Vénerie traduzido para alemão (1590) e italiano (1621).

[à volta da tradução e incorporação de La Vénerie para o inglês, e a sua utilização nos manuais e tratados cinegéticos ingleses, o debate e conflitualidade que existe (mesmo que, por vezes, a especificidade da sua temática possa ser outra), consultar (p.expl.) a entrada de Peter Downey, "Sir Tristrams Measures of Blowing, Jacques du Fouilloux, and the English Hunting Horn Repertory of the Baroque Era”; ou ainda "La vénerie Por Jacques Du Fouilloux,Jacques Élie Manceau de Boissoudan,Jean François Pressac".

De referir, curiosamente, que Arkwright cita a obra de Du Fouilloux a partir da tradução [muito atribulada, porque incorrecta e por vezes com surpreendente censura] feita por George Turberville (1575). Assim sendo não é possível evitar alguma estranheza pela inadvertência da sua consulta (e leitura) à fonte primeva francesa. Refira-se que Turberville, ao traduzir (de Du Fouilloux) o termo "limier", utiliza a palavra "bloodhound", preferindo-o a "limer", então tornado "arcaico". Do mesmo modo, quando Du Fouilloux se refere ao "chien-gris", Turberville traduz por “dun-hound”. Ora a confusão entre os vários termos utilizados permitem diferentes leituras e suspeitosas interpretações]

[sobre Du Fouilloux, consultar (ainda)"Jacques Du Fouilloux et la seigneurie de Bouillé (1390-1781)"]

quarta-feira, 28 de março de 2007

BIBLIOGRAFIA [ESPANHOLA] CITADA POR WILLIAM ARKWRIGHT


Bibliografia [espanhola] citada por William Arkwright

- Etymologiarum, libro XX, por San Isidoro [o bispo de Sevilla], 606-63
- Libro de la Montería do rey D. Alfonso XI, 1345
- Libro de Caza, pelo Príncipe D. Juan Manuel, sec. XIV
- El Conde Lucanor, pelo Príncipe D. Juan Manuel, sec. XIV
- Libro de la Caza de las Aves, de D. Pedro López de Ayala, sec. XIV)
- Tratado de Caza y otros [Anónimo conservado no British Museum], sec. XV
- Aviso de Cazadores y de Caza, por Pedro Nuñez de Avendaño, 1543
- Tratado de Montería y Cetrería, por F. Juan Vallés, 1556
- El Peregrino en su Tierra, de Lope de Vega, 1562
- Discurso sobre el libro de la Montería del rey D. Alfonso XI, por Gonzalo Argote de Molina, 1582
- Fueros y Observancias de Navarra, sec. XVI
- Diálogos de Montería [Anónimo conservado na Biblioteca do Escorial], sec. XVI
- Orígen y Dignidad de la Caza, por Juan Mateos, 1634
- Exercicios de la Gineta, de Gregorio de Tapia y Salcedo, 1643
- Arte de Ballestería y Montería, por Alonso Martínez del Espinar, 1644
- Tratado de la Caza al Vuelo, por F.F. de la Escalera
- De las propiedades del Perro Perdiguero [ms anónimo da colecção do Duque de Osuna], sec. XVII
- Arte de Cazar, por Juan Manuel de Arellano, 1745
- Tratado de la Caza de las Perdices, de Ramon Mauri y Puig, 1848
- Investigaciones sobre la Montería, por Miguel Lafuente y Alcantara, 1849
- Tesoro del cazador [Anónimo], 1858
- Tesoro de los Perros de Caza [Anónimo], 1858
- La Aviceptología, por Jose María Tenorio, 1861
- Fauna Mastológica de Gallicia, de Victor Lopez-Seoane, 1861
- La Ilustración Venatoria [Periódico], 1878-1886
- Biblioteca Venatoria, editado por Gutierrez de la Vega [posterior a 1879]
- La Caza [obra enciclopédica], por Francisco de Uhagon, 1888
- Los Perros de Caza Españoles, de Gutierrez de la Vega, 1890
- Páginas de Caza, por Evero, 1898

[Foto: William Arkwright]

terça-feira, 27 de março de 2007

WILLIAM ARKWRIGHT


Antonio Pisanello (1395-1455?) - Vision of St. Eustace

"The first likeness of a pointing-dog that I have found is a pencil sketch of a head by an Italian, Pisanello (...), which is supported by a painting attributed to Titian (1477-1576), and by a picture by Bassano (1510-1592), at Madrid. The scene of this last is laid in the Garden of Eden; and here in a corner is a "bracco" staunchly pointing partridges"

[William Arkwright, in The Pointer and His Predecessors]

domingo, 18 de março de 2007

THE POINTER AND HIS PREDECESSORS - W. ARKWRIGHT


"First published in 1903 in a large 'coffee table' format, his book was followed by a more handy Second Edition in 1906 which was entitled 'The Popular Edition'. It is this second edition which I published as re-prints in 1977 and 1989. The current re-print is of the same format containing all twenty-two illustrations as found in this 1906 edition.

'The Pointer and His Predecessors' contains chapters on Early History, Later History, Shows and Working Trials, Characteristics of the Pointer, Breeding and Selection, Alien Crosses, Shooting over Dogs, Breaking, Kennel Management, and a List of Books.

This is without doubt the most famous and authoritative book ever published on the pointer. This book consolidates the information on the pointer up the peak of it's development, and decline, around the turn of the century.

As he describes in the first chapters, the pointer was imported into this country around 1730. It was a slow ponderous animal which was to be transformed during the next hundred years into a fast, easily trained game-finding machine. But fashions were changing; so was farming and the countryside. The vogue was for bigger and bigger bags which could only be got by driving, the 'battu', to teams of Guns in blinds or butts. The pointer's heyday was over.

[William] Arkwright was a pointer fanatic. He spent nine years on research, and learnt another European language so he could complete his book. But this is a book which will be of interest to anyone who enjoys dogs or sport. Arkwright joined The Kennel Club in 1876 soon after its formation and two years later was elected to the Committee. He was responsible for starting field trials for spaniels and the first trial of the Sporting Spaniel Club was held on his Sutton Scarsdale estate. In 1901 he was Chairman of the International Gundog League which had the aim (as it has today) of furthering the interests of working gundogs. But soon after the publication of the 2nd Edition of this book there came a significant event. He resigned from judging dog shows because he felt that the type found on the bench had nothing to do with the breed he knew as a worker in the field. As Argus Olive commented in Country Life at the time, 'Formation in the Pointer and Setter means a great deal; but instinct means more'." [ler aqui]

DIALOGOS DE LA MONTERÍA


Dialogos de la Montería

El más noble método y el mejor deporte que existe es (las perdices) matarlas con perros de punta (perros de muestra), lo cual se hace del siguiente modo: es necesario encontrar la perdiz mediante las facultades del perro y éste no puede encontrarla tan bien mediante la vista o el oído como por el olfato; lo primero que debe hacer el cazador, al llegar al terreno, es constatar la dirección del viento, ponerse de cara a él y buscar de este modo las aves metódicamente en los lugares dónde es factible que se encuentren. Llegado al primer cuartel (campo a cazar), el cazador elegirá el punto más elevado y partirá de allí soltando a su perro y obligándole a mantener su búsqueda cruzada frente al viento; (...)

Después de haber batido este campo se pasa al siguiente, situándose siempre en el punto más elevado, de forma que se puedan ver mejor los vuelos de las perdices, es decir, los puntos donde éstas se echan a tierra. Siempre que el cazador se encuentre próximo a la caza, dirigirá a su perro con el silbato más que con la voz, evitando así el ruido, que tanto molesta a las perdices.

Cuando el perro las encuentra comiendo (es decir antes de que se levanten), tan pronto como las encuentre y quede en muestra, el cazador debe avanzar rápidamente para ejecutar la maniobra de aproximación: comienza por describir una curva bastante grande, que se estrecha gradualmente hasta que alcanza la vuelta o punta del perro, creo que el cazador debe situarse de cara al lugar hacia el que indica la cabeza del perro en la muestra, porque generalmente ahí está la caza; de este modo, el cazador adormecerá a la caza de tal suerte que podrá tirarla, si es necesario, en todo momento; continuando así el cazador disminuirá constantemente su movimiento envolvente y, acechando sin descanso el lugar hacia el que indica la cabeza del perro, se mantendrá preparado para tirar a la caza que ciertamente se agazapa allí. Y siempre, cuando el cazador gira alrededor de las perdices que comen, menos probabilidades tendrá de tropezar por azar, con un pájaro que se separa del resto; y si este pájaro levanta el vuelo, normalmente los demás harán lo mismo. Por tanto, para no arriesgarse a tamaña desgracia, es necesario que el cazador divise los pájaros justo a tiro del lugar donde él se encuentra, enfrente del perro, porque si va más lejos probablemente hará volar al bando. Finalmente el cazador debe, siempre que sea posible, tirar antes de haber completado el círculo entero, porque las aves que comen aguantan mal
"

[Citação de William Arkwright dos 'Dialogos de la Montería' [manuscrito anónimo, sec. XVI], de Luis Barahona de Soto]